Jackson Cionek
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Associações com diferentes dimensões dos sintomas de TOD: um estudo de fNIRS

Associações com diferentes dimensões dos sintomas de TOD: um estudo de fNIRS

Comentário Brain Latam 2026 sobre: 

Emotion process deficits in children with ODD and their associations with different dimensions of ODD symptoms: a fNIRS study

Antes de “entender” o artigo, faz um mini-baseline de Corpo-Território (APUS): pés no chão, solta a mandíbula, nota se teu peito está “alto” (aperto) ou se a respiração desce um pouco. Isso importa porque o que este estudo quer capturar com fNIRS não é uma opinião sobre emoção; é o modo como o corpo e o cérebro organizam duas coisas bem diferentes: reconhecer emoção e regular emoção. E, na nossa linguagem, essas duas competências podem mudar completamente o qualia de “estamos juntos / TMJ”: pode ser Zona 2 (acolhe e reorganiza) ou Zona 3 (aperta, briga, captura). 

Qual é a pergunta do pesquisador?

O trabalho parte de uma pergunta simples, mas cirúrgica: crianças com Transtorno Opositivo-Desafiador (ODD) têm déficits neurais nos processos de emoção — e esses déficits se ligam de modos diferentes aos dois “lados” do ODD: sintomas afetivos (irritabilidade/raiva) e sintomas comportamentais (desafiar/argumentar/“bater de frente”)? 

A sutileza: o artigo não quer só dizer “ODD tem déficit”. Ele quer separar quais déficits (reconhecimento vs regulação) se conectam a quais dimensões do ODD, e testar isso com medidas neurais na região pré-frontal (onde esperamos participação em autocontrole, reavaliação, monitoramento). 

Como o desenho experimental tenta responder?

Eles recrutam 72 crianças (35 com ODD e 37 com desenvolvimento típico) e aplicam duas tarefas enquanto registram fNIRS no pré-frontal. Depois, fazem uma análise que liga “o que o cérebro fez” ao perfil de sintomas em dois tempos: T1 (baseline) e T2 (6 meses depois), com avaliações de mães e professores baseadas em critérios DSM-5 e separação explícita em sintomas afetivos (3 itens) e comportamentais (5 itens). Importante: nesse intervalo de 6 meses, não houve intervenção

Agora, para você viver o experimento no corpo, imagina a sequência:

1) Tarefa de reconhecimento emocional (ERC) — ~10 minutos

Você está sentado, com uma “touca” de fNIRS na testa. Aparecem rostos (principalmente medo e raiva) e você precisa identificar a emoção e escolher a imagem correspondente. Em blocos de controle, a tarefa não é emoção: é reconhecer direção/orientação de um estímulo (isso serve como contraste “não emocional”). 

Somatiza por 10 segundos: quando você vê um rosto de raiva, repara como o corpo tende a fazer micro-coisas: mandíbula endurece, ombros sobem, respiração fica curta. Isso é Mente Damasiana em ato: interocepção + propriocepção + preparação para ação situada (mesmo que você esteja parado). O artigo quer ver se o pré-frontal “acende” de modo consistente quando você precisa reconhecer e categorizar esse sinal social. 

2) Tarefa de regulação emocional (ERG) — ~12 minutos

Aqui vem um pedaço ainda mais corporal: você vê imagens negativas (IAPS) e, em uma condição, precisa usar reavaliação cognitiva (cognitive reappraisal) para reduzir a intensidade emocional. Em outra condição, você apenas observa as mesmas imagens e “sente naturalmente”. E há uma condição neutra de observação (controle). No fim de cada bloco, você avalia como se sentiu numa escala simples (de “muito bom” a “muito ruim”).

Somatiza por 10 segundos: reavaliação é como “mudar o enquadramento” sem mentir: dizer ao corpo “isso é uma foto”, “isso vai passar”, “eu consigo olhar de outro jeito”. Se você está em Zona 2, esse gesto tem espaço interno. Se você está em Zona 3 (rigidez), reavaliar vira quase uma afronta, e o corpo não compra. O estudo testa se o pré-frontal mostra sinal dessa tentativa de “completar o movimento” (sentir → reinterpretar → reduzir). 

O que eles medem (sem tecnicalizar demais)

O fNIRS foi pré-processado com NIRS-KIT (Beer-Lambert para HbO; correções como TDDR para movimento; filtro passa-banda 0.01–0.08 Hz), e a ativação foi estimada via GLM em contrastes (emoção vs controle; reavaliação vs neutro). Eles também aplicaram checagens de qualidade e exclusões por artefatos/muitos canais ruins. 

Resultados principais (e por que isso é forte)

  1. No comportamento, quase nada separa os grupos: crianças com ODD e crianças típicas podem ter desempenho semelhante nas tarefas (acerto/tempo e ratings). 

  2. No cérebro, separa: o grupo típico mostra ativação em regiões pré-frontais (ex.: MFG, porções do SFG medial e dorsal) durante reconhecimento e/ou regulação, enquanto o grupo ODD não mostra o mesmo padrão de ativação significativa. 

  3. Duas trilhas distintas: na análise de caminhos, déficits neurais ligados ao reconhecimento (ex.: SFG medial) predizem mais os sintomas afetivos; déficits neurais ligados à regulação (ex.: SFG dorsal) predizem mais os sintomas comportamentais.

Na linguagem Brain Latam 2026, isso tem uma leitura elegante: às vezes o “problema” não aparece no que a criança consegue fazer em ambiente estruturado (Zona 1 bem guiada), mas aparece no custo interno e na arquitetura do processo. O próprio artigo sugere que tarefas laboratoriais previsíveis podem mascarar déficits comportamentais que emergem mais no mundo real — onde o social é ambíguo, o ambiente muda, e o QSH do grupo puxa o corpo para rigidez ou flexibilidade.

A ponte natural com pertencimento (TMJ/Jiwasa) e DREX Cidadão

O achado “cérebro diferente, comportamento parecido” é um lembrete político-biológico: contexto regula corpo. Se o laboratório oferece previsibilidade, pausa, instrução clara, a criança pode “funcionar” mesmo com menos recrutamento pré-frontal. No cotidiano, onde há escassez, conflito e imprevisibilidade, o corpo entra mais fácil em Zona 3, e aí o mesmo “TMJ” pode virar guerra de narrativas.

É aqui que DREX Cidadão entra como hipótese de bem-estar coletivo sem dogma: quando uma sociedade protege e alimenta a célula viva cidadã (mínimo metabólico garantido), ela reduz ameaça basal e aumenta a chance de Zona 2 (fruição, reorganização crítica). Isso não “cura” ODD, mas cria um ambiente neurofisiológico mais favorável para reconhecimento e regulação emocionais se expressarem como competência real — com pertencimento que não exige inimigo comum, e com senso crítico mais disponível porque o corpo não está sequestrado pela sobrevivência.







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Jackson Cionek

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