Jackson Cionek
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Atenção, P300 e workload no Flow: análise do estudo “Shielding the Mind With Flow”

Atenção, P300 e workload no Flow: análise do estudo “Shielding the Mind With Flow”

 

(1) Brain Bee — Introdução em primeira pessoa

Enquanto eu jogo e entro em flow, meu corpo “fecha as portas” pro mundo? Ou ele só fica tão ocupado regulando que não sobra atenção para o resto?


Atenção P300 e workload no Flow - análise do estudo Shielding the Mind With Flow
Atenção P300 e workload no Flow
análise do estudo Shielding the Mind With Flow


(2) O que o estudo mostra (objetivo)

Lingelbach et al. testaram como sobrecarga (overload), subcarga (underload) e flow mudam a atenção auditiva e a alocação de recursos cognitivos durante um jogo, usando EEG em 13 participantes

O desenho foi um dual-task:

  • tarefa primária: jogo (dificuldade manipulada)

  • tarefa secundária: auditory oddball com contagem silenciosa (sem resposta motora) 

Resultados principais:

  • Questionários (NASA-TLX e Flow Short Scale) + performance confirmaram indução bem-sucedida dos estados e que flow teve melhor desempenho e valência subjetiva mais positiva do que overload. 

  • Em ERPs do oddball, flow e overload diferiram de underload (cluster centro-parietal a partir de ~200 ms), mas flow vs overload não separou bem no univariado. 

  • MVPA conseguiu decodificar as 3 condições acima do acaso; flow vs overload foi o contraste mais difícil, com uma janela curta de separação. 

Tese dos autores: o flow funciona como um “shielding mechanism”: protege o foco do jogo reduzindo reorientação para estímulos irrelevantes. 


(3) Leitura APUS — Propriocepção estendida (movimento/postura/tônus)

O estudo é “sobre atenção”, mas o APUS aparece pelo lado motor-organizacional:

  • O flow foi induzido por ajuste fino de desafio-habilidade (dificuldade adaptada por preferência e desempenho), o que tende a estabilizar tônus + coordenação + microdecisões motoras no jogo. Isso cria fluidez proprioceptiva: o corpo entra num regime de movimento mais eficiente, com menos “freios” internos. 

  • A ausência (ou redução) de resposta ao oddball durante flow pode ser lida como: o APUS está tão “ocupado” sustentando o campo de ação (movimento, timing, previsões sensório-motoras) que não compensa abrir espaço proprioceptivo para virar a atenção a um evento auditivo externo.

Ponto forte: o paradigma evita resposta motora ao oddball, reduzindo confusão “atenção vs movimento” — isso deixa mais limpo o que é escudo atencional e o que é interferência motora


(4) Leitura Tekoha — Interocepção estendida (visceral/autonômico/metabólico)

Aqui está o núcleo “metabólico” do paper, mesmo sem medir metabolismo diretamente:

  • Flow e overload podem ter nível de engajamento neural parecido, mas com valência diferente (flow mais positivo).
    Pela lente Tekoha: o corpo pode estar com alto gasto/regulação, porém em flow ele interpreta o estado interno como seguro/viável (controle + recompensa), enquanto no overload o mesmo “alto esforço” vira ameaça/aversão.

  • O “shielding” pode ser lido como um modo de regulação: o Tekoha prioriza manter homeostase funcional do jogo (ritmo interno estável) e reduz “portas” para estímulos concorrentes.

Sugestão BrainLatam (coerente com nosso seu eixo): um próximo estudo deveria acoplar EEG + HRV/EDA/respiração como marcadores de Tekoha para separar “engajamento” de “custo visceral”. (Eles gravaram ECG/EOG; abre espaço para isso.) 


(5) Jiwasa (quando aplicável)

Neste paper, não há coletivo (é tarefa individual). Então Jiwasa entra como próxima ponte:

  • Se flow “blinda” atenção em indivíduo, o que acontece quando o movimento é sincronizado em grupo (dança)? O escudo vira campo compartilhado: menos distração externa e mais acoplamento corpo-corpo.


(6) Limites do estudo (críticos, porém justos)

  • N pequeno (n=13): bom para prova de conceito, frágil para generalização. 

  • Medida chave (P300/ERP) indexa atenção a oddball, mas não é “assinatura exclusiva de flow”: overload também reduz P300. Os autores reconhecem isso e dependem do MVPA para separar. 

  • “Flow” foi operacionalizado por ajuste de dificuldade e escalas pós-bloco; ainda faltam marcadores online mais diretos do estado (apesar do oddball ajudar). 

  • O efeito de postura (sentar vs ficar em pé) foi mínimo nos sinais principais; pode ter sido pouco sensível com esse N. 


(7) Tradução para o Mundo Orgânico (arte, dança, cultura viva)

Aqui está o ouro para Dança:

  • O paper mostra, com EEG, que existe um modo de funcionamento em que o cérebro reduz a entrada de distrações quando o corpo está em regime de tarefa “certa” (desafio-habilidade). Isso é praticamente uma definição neurofisiológica do que a dança chama de presença

  • Em termos APUS-Tekoha: dança bem desenhada não é “entretenimento”; é um protocolo orgânico para induzir estados de alta eficiência atencional com valência positiva — potencialmente anti-anergia (libera tensões) sem virar overload.


(8) Pergunta aberta BrainLatam (experimento)

Se eu trocar o jogo por dança ao vivo (solo vs grupo) e inserir um oddball auditivo idêntico:

  • o “shielding” aparece mais forte?

  • e ele muda quando o corpo está em APUS coletivo (sincronia) e o Tekoha está em estado de segurança (HRV alta)?

O corpo não precisa de crença para funcionar.
Ele precisa de espaço, movimento e regulação.

Ref.:

Lingelbach, K., Vorreuther, A., Moll, E., & Mathias Vukelić. (2025). Shielding the Mind With Flow: Attention Allocation and Auditory Event‐Related Potentials Under Varying Mental Workload. European Journal of Neuroscience, 62(8), e70283–e70283. https://doi.org/10.1111/ejn.70283 

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