Jackson Cionek
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Avatares de Neurofenotipagem Multimodal: Lentes para Neurociência Naturalística e Relacional (com Inferência Replicável)

Avatares de Neurofenotipagem Multimodal: Lentes para Neurociência Naturalística e Relacional (com Inferência Replicável)

A profundidade da sua pergunta molda o que você perceberá em seguida.
Na ciência baseada em evidências, uma “boa pergunta” não é apenas curiosidade: ela define o recorte da realidade que será observado (janela temporal, contexto, corpo, cultura) e o tipo de dado que fará sentido. Por isso, nosso projeto usa Avatares de Percepção em Neurociência como um método prático para orientar perguntas, decisões de desenho experimental e interpretação. Quando um pesquisador assume intencionalmente um avatar, tende a fazer perguntas diferentes — e a interpretar o mesmo conjunto de dados por lentes distintas. Isso não é erro. É método.

O comportamento humano é multidimensional, e toda pesquisa mede parciais, não o todo. Mesmo com biossinais robustos (EEG, fNIRS, SpO₂, HRV, GSR, pupila, movimento, fala, vídeo), o que registramos sempre acontece dentro de uma janela temporal e de um território. O avatar funciona como um “guia de recorte”: ajuda a decidir o que perguntar, o que controlar, o que medir, e como interpretar sem confundir correlação com história, corpo com cultura, ou mecanismo com narrativa.

Conectomas em ação: Pedra–Papel–Tesoura e as Zonas 1–2–3

Organizamos modos funcionais do conectoma em três estados operacionais, como metáfora útil para “pensar rápido vs. devagar” e para planejar medidas. Tesoura representa maior recrutamento pré-frontal (planejamento, controle executivo, catalogação), ótimo para método e precisão — com risco de rigidez. Pedra representa maior recrutamento sensório-motor e respostas rápidas (hábito, defesa/ataque/fuga), eficiente — com risco de piloto automático. Papel representa Fruição + Metacognição (Zona 2): atenção mais ampla, corpo mais estável, pertencimento reorganizando escolhas, sustentando alta performance com segurança psicológica. Esses modos tendem a se estabilizar em Zonas: Zona 1 (vida cotidiana em modo tarefa, mistura funcional de Tesoura + Pedra), Zona 2 (Papel, retorno ao corpo e ao pertencimento), Zona 3 (captura por roteiros/ideologias rígidas, com silenciamento de interocepção e propriocepção, e pouca abertura para reorganização crítica autêntica). Importante: tratamos isso como metáfora operacional, não como “diagnóstico do cérebro”. Ela serve para orientar pergunta, desenho e leitura de dados.

Por que usamos Avatares

Nossos avatares existem para tornar explícito algo que todo pesquisador já faz implicitamente: escolher uma lente para recortar realidade. Um mesmo protocolo pode “funcionar” e ainda assim responder à pergunta errada, porque o recorte foi mal definido. Ao declarar o avatar, o pesquisador assume responsabilidade sobre o recorte: qual nível de análise (corpo, cultura, território, grupo), quais variáveis são centrais, qual janela temporal importa, e quais medidas são mais informativas. Assim, os avatares não são apenas mascotes; são um dispositivo de pensamento replicável para melhorar a qualidade de perguntas e reduzir vieses de interpretação.

Os Avatares (lentes) e suas atuações

Brainlly (Água-viva) — Neurodinâmica Viva da Percepção. Representa o acoplamento entre neurônios, glia e sangue (neurovascular). Sua atuação é guiar perguntas neurofisiológicas: “Que padrão acompanha este estado?” “Como transições Zona 1↔2 ou Zona 3→2 aparecem nos biossinais?” Favorece medidas como EEG, fNIRS, pupila, tempo de reação, SpO₂ e tarefas com manipulação controlada.

Iam (Linhas contínuas) — Afeto, Motivação e Consciência em 1ª pessoa. Representa o eixo afetivo: emoções curtas, sentimentos estáveis, vínculos, motivações e como isso molda decisão e memória episódica. Atua formulando perguntas regulatórias: “O que regula vs. desregula este corpo?” “Que emoção curta sustenta um sentimento?” Favorece HRV, GSR, respiração, expressão facial, escalas breves e marcadores de valência/arousal.

Tekoha — Interocepção Estendida / Eu-Bioma (Homeostase Viva). Representa o “corpo por dentro” em atuação ampliada: hábitos, alimentação, água, ritmo de vida e cultura metabolizada compondo um sistema de regulação. Enquanto APUS descreve a posição do corpo diante do percebido (propriocepção estendida), Tekoha descreve como o corpo sustenta ou sabota a homeostase ao longo do tempo. Atua com perguntas do tipo: “Este modo de vida sustenta ou perturba homeostase?” “O que é biologia e o que é cultura metabolizada?” Favorece medidas autonômicas, diários comportamentais, protocolos de rotina/sono e parâmetros fisiológicos integrados.

Olmeca — Cultura, História de Vida e Conectoma Social. Representa linguagem, hábitos, rituais, educação, classe, trauma, território cultural e desenvolvimento. Sua atuação é impedir o erro clássico de tratar cultura como “ruído”. Pergunta: “Por que o mesmo estímulo significa coisas diferentes entre pessoas?” Favorece tarefas contextuais, entrevistas curtas, análise narrativa e variáveis socioculturais bem definidas.

Yagé — Mudança de Modo e Metacognição Aplicada. Representa a capacidade de perceber a própria percepção e flexibilizar construtos (valores, crenças, princípios). Atua como “caixa de câmbio” para identificar rigidez (Pedra/Tesoura) e abrir caminho para Papel (Zona 2) quando possível. Perguntas típicas: “Que construto está capturando o corpo?” “Como induzir metacognição sem forçar narrativa?” Favorece protocolos de reavaliação, tarefas de flexibilidade e medições com antes/depois.

APUS — Corpo-Território / Propriocepção Estendida. Representa o ambiente entrando no corpo: postura, gravidade, espaço, ritmo, respiração, e território como extensão do corpo. Atua com perguntas sobre como o contexto físico reorganiza foco, emoção e decisão: “Que fator ambiental remodela este corpo?” Favorece IMU/movimento, postura, respiração, HRV, trajetórias no espaço e intervenções de ambiente.

DANA (Avatar do DNA) — Inteligência do DNA e Organização Viva em Território. Representa a inteligência biológica original inscrita no DNA e regulada por ritmos, ambiente e pertencimento biossocial. Faz pontes diretas com Tekoha (homeostase), APUS (território) e Jiwasa (bioma compartilhado). Atua com perguntas de estabilidade: “Que condições mantêm Zona 2 plausível ao longo do tempo?” “Que ritmos sustentam regulação?” Favorece desenho longitudinal e integração de dados.

Camada Coletiva

Jiwasa — Acoplamento Biossocial em Tarefa Compartilhada (mesmo bioma). Jiwasa é o nível de análise coletivo: coordenação, conflito, coesão, contágio afetivo e timing social. Atua sempre que a unidade real do fenômeno é o grupo (não o indivíduo). Perguntas: “Existe Zona 2 coletiva?” “Onde há sincronia real vs. sincronia por pressão?” Favorece hiperscanning (EEG/fNIRS), sincronia HRV/respiração, métricas de turn-taking, prosódia e dinâmica de coordenação.

Auditoria de Método

Math/Hep — Evidência, Estatística, Replicabilidade e o princípio Hep/Heep. Math/Hep carrega o compromisso do estatístico: clareza de hipótese, variáveis, controle de viés, modelagem adequada e replicabilidade. Aqui, “Hep” e “Heep” também conectam nosso vocabulário aos Eus Tensionais: padrões construídos a partir de momentos de tensão corporal, nos quais neurônios que disparam juntos tendem a disparar juntos. Ou seja, a pergunta científica deve respeitar a dinâmica do corpo que aprende por acoplamentos, e o experimento deve ser capaz de distinguir efeito real de autoengano do recorte. Math/Hep atua como auditor: “O que manipulo?” “Qual desfecho mede o que eu digo que mede?” “Que controle impede interpretação circular?” “É correlação ou teste de causalidade?” Sua regra prática é reduzir complexidade sem trair o fenômeno: uma hipótese testável por vez, com critérios de qualidade e limites explicitados.

Mantendo os Avatares cientificamente “vivos”

Cada avatar mantém um dossiê vivo de publicações e protocolos exemplares. Novos artigos relevantes são anexados ao avatar (ou às pontes entre avatares), e Math/Hep audita método, variáveis, controles, limitações e generalização. Assim, os avatares evoluem: tornam-se lentes mais afiadas, geram melhores perguntas, desenhos mais limpos e interpretações mais claras — sempre lembrando que a profundidade da pergunta define o que o dado consegue revelar.





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Jackson Cionek

New perspectives in translational control: from neurodegenerative diseases to glioblastoma | Brain States