Jackson Cionek
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Biosemiótica e Corpo-Território

Biosemiótica e Corpo-Território

O que existe numa relação viva que uma gravação - ou uma IA — não consegue simplesmente repetir?

Duas pessoas estão frente a frente.

Uma fala.

A outra não recebe apenas palavras.

Recebe voz, ritmo, pausas, movimentos dos olhos, respiração, postura, distância, microexpressões. Enquanto escuta, seu próprio coração continua variando, a respiração se reorganiza, músculos mudam de tensão, memórias podem ser recrutadas, necessidades homeostáticas continuam sinalizando.

Então ela responde.

Mas sua resposta não sai do mesmo Corpo-Território que existia antes de ouvir.

Podemos imaginar:

Corpo-Território A₀ → encontro → Corpo-Território B₁

Corpo-Território B₁ → resposta → Corpo-Território A₁

A₁ ↔ B₁ → A₂ ↔ B₂ → ...

Não são simplesmente duas mensagens circulando.

São duas materialidades vivas modificando continuamente as condições nas quais o próximo signo poderá aparecer.

Agora colocamos uma tela entre elas.

Depois substituímos o encontro ao vivo pela gravação da mesma conversa.

Finalmente, substituímos um dos corpos por uma Inteligência Artificial.

A linguagem pode continuar.

Mas será que continuamos estudando o mesmo fenômeno?

O mesmo conteúdo pode ser repetido. A mesma condição existencial do encontro, não.

Um signo vivo encontra um Corpo-Território que já estava acontecendo

Na Materialidade 5D da Consciência — Corpo-Território, qualquer percepção, memória, palavra, sinal interoceptivo ou proprioceptivo que participe da experiência precisa acontecer como configuração material presente.

O organismo não espera o estímulo em repouso.

Há metabolismo.

Água.

Íons.

Sangue.

Respiração.

Atividade neural e glial.

Coração.

Postura.

Dor.

Fome.

Memórias potencialmente recrutáveis.

O signo encontra tudo isso em Movimento.

E algumas diferenciações ganham Qualia: ressaltam, brilham, pesam, pulsam, ameaçam ou acolhem.

Mas aqui precisamos acrescentar uma distinção importante.

Aquilo que ganha Qualia não precisa necessariamente ocupar a prioridade atencional.

Uma dor pode continuar pulsando enquanto permanecemos concentrados numa conversa. Um ruído pode ser percebido sem retirar o foco de uma tarefa. Estudos sobre atenção mostram justamente que saliência e seleção atencional não são equivalentes: estímulos altamente salientes podem receber prioridade quando relevantes, mas também podem ser suprimidos quando são distratores incompatíveis com o objetivo atual. (PubMed)

BrainLatam utiliza aqui canal atencional como uma descrição operacional da prioridade funcional mantida pelo Corpo-Território, e não como um tubo anatômico isolado dentro do cérebro. Em textos anteriores, a própria BrainLatam já propôs pensar atenção como um estado corporal e coletivo, envolvendo respiração, postura, expectativa e sensação interna. (brainlatam)

Assim:

O Qualia pode colorir a experiência sem necessariamente tomar o canal atencional.

A tela conserva parte do outro — não o outro inteiro

Uma videochamada parece aproximar duas pessoas.

Vemos o rosto.

Escutamos a voz.

Mas aquilo que retorna ao Corpo-Território é predominantemente uma transdução audiovisual.

A câmera transforma luz em sinal.

O microfone transforma ondas sonoras.

Os dados atravessam a rede.

Tela e alto-falante transformam novamente dados em luz e som.

O outro Corpo-Território não atravessou a rede.

A tela transporta sinais capazes de representar o outro; não transporta a materialidade inteira do outro.

Por isso a BrainLatam utiliza a cartografia 12D não como dimensionalidade física do universo nem como afirmação de que existem exatamente doze sentidos independentes, mas como lembrança operacional de uma experiência perceptiva mais ampla: propriocepção, interocepção, equilíbrio, nocicepção, termossensação, quimiorrecepção interna e, como hipótese BrainLatam, pertencimento, entre outras dimensões. (brainlatam)

Na tela, cheiro, toque, temperatura do outro, distância corporal real e grande parte do ambiente compartilhado não chegam diretamente.

Mas o Corpo-Território pode recrutar representações dessas dimensões.

Ao ver sua mãe numa tela, os pixels podem recrutar abraço, voz, cheiro, segurança, conflitos, cuidado e memória.

A tela oferece o recorte. O Corpo-Território pode completar parte da presença com sua própria história.

Isso cria um paradoxo:

Menos diversidade sensorial direta não significa necessariamente menos Qualia.

A tela pode reduzir dimensões do estímulo e, ao mesmo tempo, ampliar atencionalmente o rosto que preservou.

“Está acontecendo agora” também é um signo

Agora surge uma diferença ainda mais profunda.

Imagine um jogo de futebol.

Você acredita que está assistindo ao vivo.

O resultado ainda parece aberto.

Cada ataque pode mudar aquilo que acontecerá.

Então alguém diz:

“Esse jogo aconteceu ontem.”

A imagem não mudou.

O áudio não mudou.

Mas algo perdeu intensidade.

Em 2026, Jiajia Yu e colegas compararam partidas de tênis de mesa ao vivo com replays utilizando simultaneamente EEG e fNIRS. A condição ao vivo produziu mais suspense, maior ativação emocional e maior prazer, além de diferenças frontais e na atividade beta. Os autores relacionam grande parte disso à incerteza do resultado. (ScienceDirect)

Mas a incerteza não explica tudo.

No estudo The Liveness Lift, também de 2026, participantes assistiram a conteúdos idênticos, enquanto os pesquisadores manipulavam a crença de que a transmissão estava acontecendo ao vivo ou era pré-gravada. Apenas acreditar na condição “ao vivo” aumentou conexão social, prazer e engajamento, e o efeito persistiu mesmo quando os pesquisadores controlaram a indeterminação do conteúdo. (Sage Journals)

Ou seja:

“Isto está acontecendo agora” pode modificar o encontro mesmo quando o conteúdo audiovisual permanece igual.

Experimentos anteriores chegaram a um resultado semelhante com olhar social: participantes viam, na realidade, vídeos gravados, mas parte deles acreditava estar diante de uma transmissão ao vivo. Essa simples crença foi suficiente para modificar padrões de olhar. (PubMed Central (PMC))

Isso sugere uma ideia metodológica BrainLatam:

Declaração Existencial do Experimento

Antes de interpretar os dados, deveríamos registrar:

O que o participante acreditava estar vivendo?

Era ao vivo?

Era gravado?

O outro podia realmente vê-lo?

Poderia responder?

O resultado ainda estava aberto?

Era uma pessoa ou uma IA?

Quem era aquela pessoa para ele?

A declaração existencial não é apenas informação sobre o experimento. Ela pode participar materialmente do próprio experimento.

Gravação não é repetição do acontecimento

Esse ponto aparece com enorme força num estudo de 2026 com EEG hyperscanning.

Mães e adolescentes primeiro interagiram livremente ao vivo. Depois foram separados e assistiram à gravação da própria interação.

O conteúdo representado era justamente o encontro que haviam vivido.

Mesmo assim, a sincronia neural frontotemporal entre as díades foi maior durante a interação ao vivo do que durante a observação da experiência representada. E a diferença live-versus-recorded apareceu claramente nas díades mãe-adolescente, mas não da mesma forma entre desconhecidos. (Nature)

Isso significa que nem “ao vivo” é uma propriedade isolada.

A história da relação importa.

Um estudo clássico de Redcay e colaboradores já havia comparado interação social por vídeo ao vivo e contingente com a gravação da mesma interação. A condição ao vivo recrutou mais regiões relacionadas a cognição social e recompensa. O ponto crítico era a contingência: na gravação, o rosto parecia olhar para o participante, mas já não podia responder a ele. (PubMed Central (PMC))

O olhar gravado possui direção. O olhar vivo possui possibilidade de reciprocidade.

Portanto:

Replay não é repetição do acontecimento. É um novo acontecimento produzido a partir do registro do anterior.

De dois corpos pode surgir algo que nenhum possuía sozinho?

É aqui que BrainLatam introduz Jiwasa.

Não como sinônimo indígena de sincronização cerebral.

Não como “mente coletiva”.

Não como apagamento do indivíduo.

Jiwasa é usado como uma janela para perguntar se, entre Corpos-Território diferentes, surgem possibilidades de ação que nenhum deles conseguiria produzir isoladamente. A própria BrainLatam vem articulando essa ideia com o “nós” inclusivo aimara e com estudos latino-americanos de cooperação. (brainlatam)

O estudo de Ivo Leiva-Cisterna, Paulo Barraza, Eugenio Rodríguez e Guillaume Dumas, publicado em 2025, oferece uma ponte experimental particularmente forte.

Sessenta participantes foram organizados em 30 díades. Utilizando EEG simultâneo, os pesquisadores aplicaram estimulação visual rítmica a 16 e 40 Hz e manipularam a sincronia entre os participantes durante uma tarefa cooperativa. O trabalho avançou além da simples correlação: aumentar experimentalmente determinadas formas de acoplamento inter-cerebral esteve associado a melhorias na coordenação cooperativa, especialmente nos protocolos de 16 Hz. (OUP Academic)

Mas:

sincronia não é Jiwasa.

Sincronia pode ser medida.

Jiwasa precisa ser investigado como aquilo que emerge na relação.

Jiwasa não é dois cérebros fazendo a mesma coisa; é a possibilidade de produzir juntos algo que nenhum possuía sozinho.

Hyperscanning precisa sair do cérebro isolado

Uma revisão de 2023 identificou 215 estudos de hyperscanning e 27 métodos diferentes para calcular acoplamento inter-cerebral. fNIRS era a modalidade mais frequente, utilizada em 119 trabalhos. Isso mostra a força do campo, mas também a dificuldade de interpretar o que exatamente significa “sincronia”. (ScienceDirect)

A Neurociência Relacional propõe justamente que essas medidas sejam interpretadas junto com comportamento, fisiologia, proximidade social e interatividade. (ScienceDirect)

Pesquisadores com forte participação chilena deram outro passo em 2025 ao propor embodied hyperscanning: medir simultaneamente cérebro e corpo durante relações sociais, e não apenas cérebro-cérebro. (PubMed)

Isso se aproxima diretamente da Materialidade 5D.

Cérebro.

Coração.

Respiração.

Movimento.

Pele.

Ambiente.

Qualia.

Canal atencional.

Relação.

Neurociência Decolonial: em que realidade o dado nasceu?

Aqui aparece um problema maior.

Um arquivo EEG pode sobreviver ao experimento.

Uma planilha pode sobreviver.

O vídeo pode ser reproduzido mil vezes.

Mas:

o dado gravado é uma marca do acontecimento. Não é o acontecimento novamente.

A Neurociência Decolonial precisa perguntar não apenas quem foi medido, mas em qual realidade aquele Corpo-Território estava vivendo quando foi medido.

Pesquisadores e participantes falavam a mesma língua?

O laboratório era familiar?

Quem estava presente?

Havia relação de confiança?

A tarefa fazia sentido naquele território?

O outro Corpo-Território era conhecido?

O participante sentia pertencimento?

Mushtaq e Agustín Ibáñez defendem justamente que uma neurociência global com EEG depende não apenas de hardware portátil, mas de engajamento com comunidades e metodologias culturalmente apropriadas. (PubMed)

Na América Latina, Guevara, Mesquita e Orihuela-Espina mostram que fNIRS vem permitindo pesquisa mais portátil, ecológica e regionalmente situada, inclusive em contextos naturalísticos, educação e interação social. (PubMed Central (PMC))

Por isso BrainLatam acrescenta:

Declaração Existencial e Territorial

Antes de perguntar o que o cérebro fez, precisamos registrar em que realidade o Corpo-Território acreditava estar vivendo.

O pesquisador também estava nessa realidade.

Sua presença não é necessariamente “erro”.

Mas precisa deixar de ser invisível.

Pergunta NeuroDesafio LATAM

Como patrocinadora do NeuroDesafio LATAM, BrainLatam propõe:

Quando dois Corpos-Território precisam sustentar atenção um no outro para produzir algo que nenhum conseguiria fazer sozinho, que fenômenos neurais, fisiológicos, atencionais e de Qualia emergem - e o que muda quando alteramos a presença, a simultaneidade ou a existência do outro?

Um protocolo poderia comparar:

humano–humano presencial e ao vivo;

humano–humano remoto e ao vivo;

humano–humano gravado e declarado como gravado;

a mesma gravação apresentada como se estivesse ao vivo;

humano–IA interativo.

EEG e fNIRS poderiam registrar partes da materialidade neural.

ECG, respiração, atividade eletrodérmica e movimento observariam outras escalas.

Relatos em primeira pessoa investigariam Qualia, presença, reciprocidade e pertencimento.

E o questionário final começaria com algo simples:

O que você acreditava que estava acontecendo enquanto isso acontecia?

Talvez uma Neurociência verdadeiramente decolonial precise aprender a levar essa resposta tão a sério quanto leva o sinal elétrico.

Porque:

O instrumento registra uma janela. O Corpo-Território vive o acontecimento.

A tela pode preservar o agora e perder grande parte do aqui. A gravação pode preservar a representação do aqui e perder o agora compartilhado.

E uma IA pode preservar diálogo, rapidez e reciprocidade funcional sem que tenhamos demonstrado existir, do outro lado, outro organismo homeostático vivendo o signo.

A pergunta biosemiótica permanece:

Quando algo parece uma relação, quem — ou o quê — está realmente vivendo esse encontro?


Referências comentadas

Leiva-Cisterna, I.; Barraza, P.; Rodríguez, E.; Dumas, G. (2025). “Sensory multi-brain stimulation enhances dyadic cooperative behavior”. Social Cognitive and Affective Neuroscience, 20(1), nsaf104.
Estudo conduzido com forte base chilena, usando EEG hyperscanning e estimulação sensorial para manipular experimentalmente acoplamento inter-cerebral durante cooperação. É central porque desloca o campo da simples correlação para uma pergunta causal sobre coordenação entre pessoas. Para BrainLatam, fornece uma base experimental para perguntar por Jiwasa sem reduzi-lo à sincronia neural. (OUP Academic)

Schwartz, L.; Shilo, C.; Hayut, O.; et al. (2026). “Inter-brain processes during Live and Represented social moments are inter-related and shaped by behavioral synchrony”. Communications Psychology, 4, 110.
Comparou interação social ao vivo com observação posterior da própria interação gravada. A diferença entre participar e observar ficou particularmente clara em díades mãe-adolescente. Sustenta diretamente nossa frase: a gravação preserva um registro do encontro, mas não recria sua condição relacional original. (Nature)

Duani, N.; Barasch, A.; Ward, A. F. (2026). “The Liveness Lift: Viewing Live Streams Creates Connection and Enhances Engagement in Amateur Music Performances”. Journal of Marketing.
Em vários experimentos, inclusive com conteúdo audiovisual idêntico, apenas acreditar que a transmissão estava ocorrendo ao vivo aumentou conexão social, prazer e engajamento. É uma das referências mais fortes para o conceito BrainLatam de Declaração Existencial do Experimento. (Sage Journals)

Yu, J.; Liu, L.; Liu, Y.; Hou, Y. (2026). “Neural mechanisms of enhanced emotional experience during live sports viewing: Multimodal evidence from fNIRS and EEG”. Behavioural Brain Research, 504, 116086.
Comparou esporte ao vivo e replay com EEG-fNIRS simultâneos. A condição ao vivo aumentou suspense, ativação emocional e prazer e produziu diferenças frontais e beta. Mostra como o futuro ainda percebido como aberto pode alterar a Materialidade 5D da experiência. (ScienceDirect)

von dem Hagen, E. A. H.; Bright, N. (2017). “High autistic trait individuals do not modulate gaze behaviour in response to social presence but look away more when actively engaged in an interaction”. Autism Research, 10(2), 359–368.
Participantes podiam assistir ao mesmo tipo de vídeo acreditando que era live ou pré-gravado; a crença de presença modificou comportamento ocular em parte dos participantes. Ajuda a demonstrar que a condição atribuída ao encontro pode modificar o próprio comportamento perceptivo. (PubMed Central (PMC))

Holleman, G. A.; Hessels, R. S.; Kemner, C.; Hooge, I. T. C. (2020). “Implying social interaction and its influence on gaze behavior to the eyes”. PLOS ONE, 15(2), e0229203.
Todos assistiam a material pré-gravado, mas as instruções alteravam a crença sobre a possibilidade de interação ao vivo. O estudo reforça que presença percebida e reciprocidade possível entram no fenômeno antes mesmo de existir interação efetiva. (PLOS)

Redcay, E.; Dodell-Feder, D.; Pearrow, M. J.; et al. (2010). “Live face-to-face interaction during fMRI: a new tool for social cognitive neuroscience”. NeuroImage, 50(4), 1639–1647.
Comparou interação live contingente com reprodução gravada da mesma interação e encontrou maior recrutamento de sistemas relacionados a cognição social e recompensa no live. Continua sendo um precedente importante para diferenciar representação do outro de possibilidade real de reciprocidade. (PubMed Central (PMC))

Hakim, U.; De Felice, S.; Pinti, P.; et al. (2023). “Quantification of inter-brain coupling: A review of current methods used in haemodynamic and electrophysiological hyperscanning studies”. NeuroImage, 280, 120354.
Revisou 215 trabalhos e encontrou 27 métodos para medir acoplamento inter-cerebral. fNIRS foi a modalidade mais comum. É essencial para manter a cautela: interbrain synchrony é uma medida dependente do método, não uma prova automática de pensamento, Qualia ou Jiwasa compartilhados. (ScienceDirect)

De Felice, S. et al. (2025). “Relational neuroscience: Insights from hyperscanning research”. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 169, 105979.
Propõe a Neurociência Relacional e defende interpretar dinâmica inter-cerebral em conjunto com comportamento, fisiologia, proximidade social e interatividade. Dialoga diretamente com a recusa BrainLatam de reduzir uma relação à correlação entre dois sinais cerebrais. (ScienceDirect)

Grasso-Cladera, A.; Costa-Cordella, S.; Mattoli-Sánchez, J.; et al. (2025). “Embodied hyperscanning for studying social interaction: A scoping review of simultaneous brain and body measurements”. Social Neuroscience, 20(3), 163–179.
Com forte participação de pesquisadores vinculados à Universidad Diego Portales, no Chile, propõe ampliar hyperscanning para medidas simultâneas de cérebro e corpo. É uma ponte direta para a Materialidade 5D: a relação acontece entre organismos inteiros, não entre dois cérebros desencarnados. (PubMed)

Zhang, Y.; Gaspelin, N. (2024). “Salience effects on attentional selection are enabled by task relevance”. Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance, 50(11), 1131–1142.
Mostra que alta saliência aumenta seleção quando o estímulo é relevante, mas estímulos igualmente salientes podem ser suprimidos quando são distratores. Sustenta nossa distinção operacional: Qualia/saliência e prioridade atencional não precisam coincidir. (PubMed)

Mushtaq, F.; Ibáñez, A. (2025). “Electroencephalography (EEG) and the Quest for an Inclusive and Global Neuroscience”. European Journal of Neuroscience, 61(6), e70078.
Defende EEG como ferramenta estratégica para uma neurociência global e destaca diversidade de populações, barreiras técnicas e necessidade de cocriar metodologias culturalmente sensíveis com as comunidades. Sustenta a passagem da diversidade amostral para uma Neurociência situada no território. (PubMed)

Guevara, E.; Mesquita, R. C.; Orihuela-Espina, F. (2026). “Emerging panorama of functional near-infrared spectroscopy in Latin America”. Neurophotonics, 13(S1), S13002.
Documenta o crescimento do fNIRS na América Latina e seu potencial para ambientes naturalísticos, educação, interação social e regiões com menos infraestrutura. Fortalece a proposta de construir paradigmas ecológicos no próprio território latino-americano. (PubMed Central (PMC))

Mudrik, L.; Hirschhorn, R.; Korisky, U. (2024). “Taking consciousness for real: Increasing the ecological validity of the study of conscious vs. unconscious processes”. Neuron, 112(10), 1642–1656.
Argumenta que o estudo da consciência se tornou excessivamente distante das condições cotidianas e propõe mudar estímulos, contextos, medidas e perguntas. É uma referência importante para a tese de que controle experimental não deve eliminar justamente aquilo que torna o acontecimento vivido. (ScienceDirect)

BrainLatam — Materialidade 5D, 12D, Canal Atencional e Jiwasa.
A síntese deste texto pode ser formulada assim: o Corpo-Território vive em materialidade 5D; a cartografia 12D lembra que uma relação ultrapassa visão e audição; o Qualia diferencia sem obrigatoriamente capturar o canal atencional; e Jiwasa pergunta o que pode surgir quando Corpos-Território diferentes preservam suas peculiaridades e, ainda assim, produzem possibilidades que nenhum possuía sozinho. A Declaração Existencial e Territorial acrescenta uma exigência metodológica: registrar não apenas o dado, mas a realidade que o participante acreditava estar vivendo quando o dado nasceu. (brainlatam)






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Jackson Cionek

New perspectives in translational control: from neurodegenerative diseases to glioblastoma | Brain States