Jackson Cionek
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De que forma a espectroscopia no infravermelho próximo pode fornecer informações sobre a ativação cerebral de crianças que usam implante auditivo?

De que forma a espectroscopia no infravermelho próximo pode fornecer informações sobre a ativação cerebral de crianças que usam implante auditivo?

Comentários BrainLatam 2026 sobre:

How can near infrared spectroscopy be informative about the brain activation of children using a hearing implant? Preliminary case-control findings

Feche os olhos por 10 segundos e imagine uma cena simples: você está sentado(a) e alguém que te ama fala com você bem perto, com uma voz “de casa”, cheia de prosódia (aquela melodia afetiva da fala). Repare no que muda no seu corpo: a respiração desce? o peito solta? a mandíbula afrouxa? ou, ao contrário, você fica mais alerta? Essa microvirada corporal é a porta de entrada perfeita para sentir a pergunta central deste artigo.

A pergunta científica, em linguagem viva, é: no dia em que um implante coclear é ativado, o cérebro de uma criança com surdez profunda já mostra um padrão de “resposta cortical” (via oxigenação medida por fNIRS) parecido com o de crianças ouvintes com a mesma “idade auditiva”? E: o que se vê no cérebro acompanha o que se observa na audição e na linguagem ao longo do tempo? 

O desenho experimental é elegante justamente por ser corporal e situado. É um estudo caso-controle: uma criança com implante coclear foi medida no próprio dia da ativação e comparada com três crianças ouvintes pareadas pela idade auditiva (tempo de experiência efetiva com som). E aqui vem a parte que dá para “sentir”: durante a coleta, as crianças ficaram no colo da mãe, e o estímulo não foi um bip artificial — foi a voz materna em conversa espontânea dirigida à criança, com prosódia natural. Foram 6 blocos de ~10 s de voz, alternados com 10 s de silêncio, em torno de 60 dB SPL

O cérebro foi “escutado” com fNIRS (espectroscopia no infravermelho próximo), usando um sistema NIRScout Tandem 1616, com 84 canais cobrindo regiões frontais, temporais, parietais e occipitais, bilateralmente (referência 10–20).  O que o fNIRS capta não é “pensamento” direto: ele acompanha mudanças em HbO/HbR (oxigenação/desoxigenação) como marcador indireto de demanda metabólica local. E o processamento foi bem cuidadoso (correção de movimento, remoção de canais ruins, filtros, janela de -10 s a +15 s, baseline -5 a 0 s, etc.).

O caso clínico dá contexto ao “corpo em Zona 1”. A criança foi diagnosticada com perda neurossensorial profunda bilateral, tentou AASI cedo e fez fonoterapia, mas sem melhora significativa; recebeu implante no ouvido direito aos 1 ano e 4 meses, e na ativação manteve adaptação bimodal (implante + AASI contralateral).  No dia da ativação, já havia sinais comportamentais: atenção à voz, resposta ao nome, detecção de vogais (/a/, /i/, /u/) e ausência para alguns sons do teste de Ling; classificação inicial em categorias básicas de audição/linguagem. 

E os achados? Estatisticamente, não houve diferença significativa entre a ativação cortical da criança implantada e a das crianças ouvintes pareadas por idade auditiva.  Os mapas indicaram envolvimento de regiões temporais e também parieto-occipitais no contexto do estímulo de voz materna.  Ao mesmo tempo, os autores relatam melhora de desempenho auditivo e de linguagem após o uso do implante ao longo do acompanhamento clínico. 

Agora entra o BrainLatam2026: isso não é só “audição como canal”. Percepção é um estado corporal. A criança no colo, a voz materna, o silêncio alternado, a previsibilidade do bloco: tudo isso é Mente Damasiana em ação — interocepção + propriocepção + ação situada organizando o que o som “vira” dentro do corpo. O mesmo estímulo (“voz”) pode ser Zona 2 (fruição e reorganização) quando vem com segurança, ou Zona 3 (hiperalerta e rigidez) quando vem com ameaça. O estudo escolhe um estímulo que tende a regular: a voz de pertencimento.

Em termos de Eus Tensionais, pense assim: antes da ativação, o “eu que escuta” não tinha lastro sensorial; com a ativação, esse eu começa a ser reconstruído como hábito corporal. O dado forte aqui é a ideia de plasticidade no tempo oportuno: o implante foi feito cedo, dentro de janela sensível discutida pelos autores, o que pode favorecer trajetórias mais próximas das de crianças ouvintes. 

E o que eu ampliaria no próximo desenho (para “sentir” ainda mais o mecanismo)?

  • Repetir fNIRS longitudinalmente (pré-ativação, dia 0, 1 mês, 6 meses), porque Zona 2 é processo, não foto.

  • Colocar condições de estímulo: voz materna vs voz desconhecida, fala vs ruído, e até hiperscanning mãe–criança para medir sincronia (QSH/Jiwasa) como pertencimento fisiológico, não só “melhora de performance”.

  • Integrar medidas simples (HRV, respiração) para ver se a voz regula o corpo junto com o córtex.

A ligação “orgânica” com política e DREX Cidadão aparece como inferência funcional: se a voz materna, no colo, ajuda o corpo a sair do modo ameaça e entrar em modo aprendizagem, então sociedades que reduzem ameaça metabólica (fome, insegurança, instabilidade) aumentam a chance de mais gente viver mais tempo em Zona 2 — com crítica, plasticidade e pertencimento sem dogma. DREX Cidadão, nessa leitura, seria uma tecnologia de “nutrir a célula cidadã” para diminuir o sequestro de Zona 3 e favorecer um Religare sem inimigos comuns: pertencimento que regula, não captura.

Esse artigo é pequeno (um caso, poucos controles), mas ele acerta algo grande: coloca a ciência dentro do colo — e lembra que, no começo da vida, cérebro e pertencimento são a mesma paisagem, só vistos por instrumentos diferentes.







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Jackson Cionek

New perspectives in translational control: from neurodegenerative diseases to glioblastoma | Brain States