Jackson Cionek
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Finitude da Atenção - quando o foco se dissolve no sono – SBNeC SfN Brain Bee

Finitude da Atenção - quando o foco se dissolve no sono – SBNeC SfN Brain Bee

Eu sou a atenção que se estende sobre o mundo. Durante o dia, agarro-me às palavras, às imagens e aos gestos para manter a ordem da realidade. Sustento frases inteiras, planejo tarefas, vigio ameaças. Mas quando a noite chega, começo a perder o fio: as frases se quebram em palavras soltas, as imagens se embaralham, e o que era foco se dissolve em fragmentos. A finitude da atenção é meu convite a deixar de controlar para simplesmente ser.


1) A atenção como construção e limite

  • Função inicial: organiza o pensamento, mantém a memória de trabalho, garante vigilância e controle de tarefas.

  • Na dor crônica: a atenção é sequestrada para o corpo dolorido, reduzindo flexibilidade cognitiva e gerando hiperfoco nocivo.

  • Finitude natural: no sono, a atenção se dissolve gradualmente, liberando redes neurais para restauração.

  • Finitude bloqueada: ansiedade, trauma ou dor fragmentam esse processo → despertares, pensamentos intrusivos e vigilância noturna.

Relação vs causalidade:
Existe uma relação consistente entre atenção hiperativa (ruminação) e pior qualidade do sono. Contudo, demonstrar causalidade exige intervenção intencional — como práticas de transcendência, metacognição, fruição crítica ou terapia cognitiva — junto ao registro de mudanças objetivas em EEG (queda de beta/gama, aumento de delta) e fNIRS (redução da oxigenação pré-frontal durante N3).


2) O sono como dissolução atencional

  • N1: perda do encadeamento lógico — frases se fragmentam em palavras soltas.

  • N2: estabilização do desligamento, surgem fusos do sono e complexos K.

  • N3: a atenção consciente se extingue; redes pré-frontais entram em repouso profundo.

  • REM tônico: reaparece a atenção imagética, sem movimento corporal, recalibrando referenciais internos.

  • REM fásico: integra emoções às memórias, permitindo que a atenção futura seja mais flexível.

Na dor crônica, esse ciclo é truncado: N1/N2 ficam prolongados por despertares, N3 encurta, e o REM perde eficiência. O cérebro acorda sem ter dissolvido a atenção — cansado, hipervigilante e dolorido.


3) Neurociência da atenção no sono

  • EEG: perda gradual da atividade beta/gama (vigilância) e aumento de delta no N3; em dor crônica, beta/gama permanecem elevados, indicando falha na dissolução.

  • fNIRS: menor oxigenação pré-frontal durante N3 → marcador de repouso profundo. Em insônia e dor, o PFC permanece hiperativado.

  • Integração: a finitude da atenção depende da queda sustentada da atividade pré-frontal. Se não ocorre, o eu tensional e a dor persistem.

Possibilidade: reduzir atividade pré-frontal (relaxamento, respiração, música lenta) favorece a dissolução atencional.
Probabilidade: estudos mostram que sujeitos com maior redução de beta/gama no EEG têm maior chance de relatar sono reparador e menor dor.


4) Do Todo à medição

Hipóteses de pesquisa sobre finitude da atenção:

  1. Hipótese EEG–Beta/Gama: maior queda de beta/gama no início do sono prediz menor intensidade de dor matinal.

  2. Hipótese fNIRS–PFC: maior desoxigenação pré-frontal durante N3 correlaciona-se com melhor qualidade do sono.

  3. Hipótese REM–Integração: maior proporção de REM fásico melhora flexibilidade atencional no dia seguinte.

  4. Hipótese Trauma–Intrusão: maior reatividade da amígdala em N1/N2 prediz falha de dissolução da atenção em pacientes com TEPT.


5) Nota metodológica sobre recorte (EEG/NIRS e SpO₂)

Ao desenhar pesquisas com EEG e fNIRS, fazemos um recorte metodológico que privilegia oscilações neurais e hemodinâmica pré-frontal. Porém, esses métodos não captam um aspecto fisiológico fundamental: a saturação de oxigênio (SpO₂) entre 92–94%, faixa muitas vezes associada à Zona 2 metabólico-neuroemocional.

Nesse estado, a atenção pode alcançar alta performance durante o dia — sustentada, flexível e crítica. Mas, para que haja finitude, essa intensidade atencional precisa se dissolver no sono. Se não se dissolve, o eu tensional permanece rígido, o córtex pré-frontal hiperativo e o ciclo de dor e vigilância se perpetua.

Isso reforça a importância de desenhos multimodais de pesquisa (EEG + fNIRS + SpO₂) para investigar não apenas relações, mas também a possível causalidade entre performance atencional diurna, fisiologia da Zona 2 e dissolução noturna da atenção.


6) Para clínicos e cuidadores

  • Treinar técnicas de relaxamento e respiração para reduzir hiperfoco antes do sono.

  • Orientar rotinas de higiene do sono que favoreçam N3.

  • Em cuidados paliativos: usar narrativas guiadas e música lenta para permitir que a atenção se dissolva com menor intrusão traumática.

  • Educação em neurociência da atenção: mostrar ao paciente que perder o foco à noite não é falha, mas um processo natural de finitude.


7) Referências indicativas

EEG e atenção/sono

  • Reid et al., 2023 – Revisão sobre EEG do sono e mecanismos de dor.

  • Zebhauser et al., PAIN, 2023 – Oscilações beta/gama associadas à dor neuropática.

  • Ryu et al., Scientific Reports, 2024 – Atividade gama pré-frontal ligada à percepção dolorosa.

fNIRS e atenção

  • Luo et al., 2024 – Conectividade pré-frontal como biomarcador de analgesia.

  • Shafiei et al., 2025 – fNIRS + realidade virtual para classificar gravidade de dor.

Sono, trauma e intrusão

  • Irwin et al., PAIN, 2023 – Perda de N3 aumenta inflamação e sensibilidade dolorosa.

  • Estudos em TEPT (2022–2024) – Prolongamento de N1/N2 e falha no desligamento atencional.






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