Jackson Cionek
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Finitude da Percepção do Tempo - Entre o Ritmo e o Silêncio - Decolonial Neuroscience SBNeC SfN Brain Bee

Finitude da Percepção do Tempo - Entre o Ritmo e o Silêncio - Decolonial Neuroscience SBNeC SfN Brain Bee

Consciência em Primeira Pessoa

“Eu sou o tempo que percebo em mim. Conto batimentos, respiro em ciclos, sinto sede, fome, cansaço. Cada sensação é um marcador que me ancora na passagem das horas. Mas quando adormeço, deixo de existir como relógio: não há antes nem depois, apenas o mergulho em ondas que me suspendem. No sono profundo descubro que o tempo não é absoluto — é percepção que se dissolve, permitindo que eu me reconheça no todo, onde não há diferença entre ontem, hoje e amanhã.”


Tempo e Mente Damasiana

  • O tempo não existe em si: requer sempre um referencial, um diferencial entre pelo menos dois espaços ou volumes em movimento.

  • No corpo: usamos batimentos cardíacos, ciclos respiratórios, sede, fome e ritmos hormonais (como o circadiano) para dar sentido à passagem do tempo.

  • Mente Damasiana: integra interocepção e propriocepção em ritmos metabólicos que criam a percepção temporal.

  • Inferência: quando nos referenciamos no todo, o tempo deixa de existir. No sono, a consciência retorna a esse estado de suspensão, onde não há relógio, apenas pertencimento.


A Finitude do Tempo no Sono

  • N1: a sequência temporal começa a falhar; percepções fragmentadas já não seguem ordem linear.

  • N2: fusos organizam memórias sem referência de tempo; a mente consolida sem precisar marcar “quando”.

  • N3: o silêncio profundo elimina o relógio interno; batimentos e respiração caem em cadência mínima, dissolvendo a percepção do passar.

  • REM tônico: narrativas oníricas surgem sem coerência temporal — passado, presente e futuro se misturam.

  • REM fásico: emoções e memórias criam histórias onde o tempo não flui, mas se dobra em repetições e deslocamentos.


Neurociência da Percepção Temporal em Sono

  • EEG: ondas lentas em N3 reduzem a conectividade entre redes temporais, dissolvendo a ordem sequencial.

  • fNIRS: menor atividade pré-frontal durante sono profundo indica suspensão do controle temporal executivo.

  • Ritmos circadianos: o grande movimento hormonal (melatonina, cortisol) organiza o corpo em ciclos de vigília e repouso, mas não gera tempo subjetivo.

  • Integração: a percepção do tempo é produto do corpo-território em movimento; quando o corpo se suspende, o tempo também cessa.


Quando a Finitude do Tempo é Bloqueada

  • Insônia: aumenta a autoconsciência temporal, com percepção dolorosa da passagem das horas.

  • Ansiedade: acelera batimentos e respiração, tornando o tempo subjetivo mais rápido.

  • Zona 3: o corpo em alerta mantém a contagem constante, impedindo que a percepção temporal se dissolva no sono.


Para Clínicos e Cuidadores

  • Promover ambientes que reduzam a vigilância temporal (silêncio, escuridão, ausência de relógios).

  • Incentivar práticas de respiração e relaxamento que desacelerem o ritmo interno.

  • Em cuidados paliativos: propor a dissolução da percepção do tempo como experiência de paz, não como perda.


Conclusão

A percepção do tempo não é uma verdade absoluta, mas um arranjo do corpo para se orientar em diferenças e ciclos. Sua finitude no sono mostra que, no todo, o tempo não existe: há apenas vida em fluxo. O descanso noturno é um ensaio da própria finitude — o acabar, o deixar de ser e a não continuidade — experiências que dão sentido à vida e permitem reorganização para o despertar.


Referências Indicativas (pós-2020)

  • Cunningham T.J. (2022). Sleep and emotional memory processing: a review.

  • Gong H. et al. (2022). Prefrontal excitability dynamics across sleep stages measured by fNIRS.

  • Halonen R. et al. (2024). REM sleep theta oscillations preserve stress responsiveness.

  • Duan W. et al. (2025). Selective consolidation of salient and rewarded memories during sleep.

  • Yuksel C. et al. (2025). Complementary roles of SWS and REM in emotional memory consolidation.



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New perspectives in translational control: from neurodegenerative diseases to glioblastoma | Brain States