Jackson Cionek
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Liberdade de Expressão na Completude do Movimento

Liberdade de Expressão na Completude do Movimento


Eu gosto de pensar assim: meu corpo é um texto vivo. E o DNA é a biblioteca que escreve esse texto o tempo todo. Só que “liberdade de expressão” não é só um tema social — é também biologia pura: é o quanto o meu DNA consegue virar proteína funcional, tecido, força, pele, fáscia, cérebro… sem ruído, sem travar, sem viver em “modo ameaça”.
Consciência em Primeira Pessoa

Quando meu corpo não consegue se expressar em movimento, o DNA até continua trabalhando — mas ele trabalha em um território tenso, com sinais confusos, como se a vida estivesse sempre “quase começando” e nunca terminando.

Eu estou parado… e mesmo assim não estou em repouso

Eu estou parado.
Nada “errado” está acontecendo.
Mesmo assim, eu percebo:

  • peito um pouco preso

  • barriga firme demais para quem não está correndo

  • ombros sustentando algo que não é peso físico

Isso, pra mim, é anergia: energia de movimento que começou… e não terminou.

Não é “emoção reprimida”.
Não é “pensamento negativo”.
É um ciclo motor aberto.

Meu corpo fez microgestos de defesa, ajuste, prontidão: postura endurece, respiração encurta, atenção fica em sentinela. Só que eu não finalizei esses gestos. Ficou um “meio caminho” guardado no tronco, na pelve, no abdome.

A frase que muda tudo é simples:

Meu corpo não precisa explicar. Ele só precisa terminar o que começou.

DNA: liberdade de expressão não é mágica — é condição

O DNA não “usa whey” nem “usa colágeno”. O que ele precisa é:

  1. matéria-prima (aminoácidos)

  2. energia (o corpo consegue pagar o custo de construir)

  3. ambiente estável (menos inflamação, menos estresse crônico, menos “alarme”)

Quando isso existe, acontece o básico da vida:
gene → RNA → proteína → função.

Nós chamamos isso de DNA virando corpo.

E aqui entra uma ponte bonita em nosso vocabulário:

  • Whey (ou equivalentes alimentares) é “vocabulário rápido” para o corpo agir.

  • Colágeno (ou equivalentes alimentares) é “território estrutural” para o corpo sustentar.

Um puxa mais “ação”. O outro sustenta mais “continuidade”.

Onde eu encontro isso sem depender de pó?

  • Equivalentes do whey (proteína completa): ovos, leite/iogurte/queijo, peixe, frango, carnes.

  • Equivalentes do colágeno (estrutura): caldo de ossos, mocotó, pé de galinha, pele de frango/peixe, cartilagens, cozidos longos.

  • A ponte (os dois mundos): peixe com pele/espinha, frango com pele, ossobuco, costela + caldo.

E um detalhe prático que muda o jogo: pra construir colágeno, meu corpo precisa de “chaves”, como vitamina C (laranja, acerola, goiaba), além de minerais como zinco e cobre (sementes, castanhas, cacau, carnes). Sem isso, eu até como os aminoácidos… mas o território não se organiza direito.

mTOR: meu corpo escolhe “agir” ou “integrar” — e isso vira estado

Eu imagino a mTOR como um sensor de contexto. Ela responde:
“Tem recurso e segurança suficientes para construir?”

  • mTORC1 é mais “modo fazer”: construir rápido, sintetizar, agir.

  • mTORC2 é mais “modo integrar”: organizar estrutura, estabilidade, coordenação fina, plasticidade.

A Zona 2, do jeito que entendemos o corpo, não é descanso passivo. É um estado inteligente:

  • eu não estou em desempenho

  • mas também não estou colapsado

  • meu território está seguro o bastante para reorganizar sinal

Na Zona 2, eu sinto isso como: respiração mais ampla, variação postural voltando, mente menos “fixa”, corpo menos defensivo.
E aí o DNA para de “gritar” (modo sobrevivência) e volta a “conversar” (modo manutenção e adaptação).

Anergia: eu libero quando fecho ciclos

Agora eu volto ao que eu posso fazer agora, com meu próprio corpo, sem misticismo.

1) Respiração que encontra espaço (diafragma)

Eu coloco uma mão no peito e outra na barriga.
Eu inspiro sem forçar.
Na expiração, eu deixo o ar sair um pouco mais longo do que entrou.

Eu não busco “calma”. Eu busco espaço interno.
Se vier suspiro, bocejo, calor: eu deixo. Isso é o corpo fechando loop.

2) Torção lenta do tronco (plexo solar)

Sentado ou em pé, eu giro o tronco lentamente para um lado.
Eu paro antes do limite.
Fico ali 5–10 segundos. Volto. Repito do outro lado.

Eu não giro para “ficar flexível”.
Eu giro para concluir um gesto que meu corpo ensaiou mil vezes e interrompeu.

3) Balanço suave (abdome e intestino)

Eu balanço o corpo pra frente e pra trás, bem pouco.
Como se eu estivesse embalando alguém — e esse alguém sou eu.

Esse ritmo diz: “está seguro soltar.”
Se o abdome relaxar, ótimo. Se não, tudo bem. Eu não forço.

4) Onda curta da coluna (lombar e pelve)

Eu faço uma flexão e extensão pequena, como uma onda curta.
A pelve acompanha. Eu repito se o corpo pedir.

Aqui eu sinto claramente: ciclo fechando.

5) Micro-movimento repetido + pausa

Eu escolho um movimento pequeno:
levantar um ombro, girar o pescoço, ajustar a pelve.

Repito 3–4 vezes.
Depois eu paro e observo.

Esse é um dos caminhos mais diretos para dissolver anergia:
repetição curta + pausa.

Músculo Psoas: ele solta quando eu tiro dele o trabalho de viver em alerta

O psoas, pra mim, é um “músculo sentinela”. Ele não relaxa bem com briga. Ele relaxa com sinal de segurança.

O que costuma ajudar de verdade:

  • Inclinação pélvica posterior (encaixar a pelve, deitado ou em pé): tira tração lombar.

  • Expiração longa: quando a respiração desce, o corpo entende “não há ameaça”.

  • Movimento de quadril sem carga (balanço, passo curto, agachamento suave): o corpo aprende “posso mover sem perigo”.

  • Apoio no pé inteiro: base estável diminui compensação.

Regra simples que eu testo em mim:

  • se minha respiração encurta, meu psoas trava

  • se minha respiração desce, meu psoas solta

O que está acontecendo de verdade (sem complicar)

Enquanto eu faço esses movimentos:

  • minha propriocepção se reorganiza (meu mapa corporal fica mais claro)

  • minha interocepção volta a sinalizar (meu dentro fica mais legível)

  • minha mente para de sustentar “modo alerta” como se fosse normal

Se aparecer emoção, tudo bem.
Se não aparecer, também tudo bem.
A liberação não depende da emoção. Emoção é só uma das saídas possíveis.

E eu fecho com a frase-chave que eu quero lembrar todo dia:

Quando eu permito que meu corpo termine os movimentos que minha mente começou, a anergia perde função — e simplesmente se dissolve.

Observação rápida e responsável: se você tem dor forte, lesão, ou sintomas persistentes, vale conversar com um profissional de saúde. Aqui eu descrevi um caminho leve e corporal, pensado para segurança e autoconsciência.

 

Referencias:

1) Bioma, colonização, corpo-território e língua como corpo (4)

  1. The Dawn of Everything — David Graeber; David Wengrow.
    Comentário (1ª pessoa): Quando eu leio isso, eu entendo: meu “normal” não é universal. Cultura muda corpo, corpo muda mente — e a colonização muda o ritmo de vida, comida e movimento que me davam pertencimento.

  2. “Nutrition transition and health outcomes of Indigenous populations in Chile: a systematic review” (2020), Public Health Nutrition.
    Comentário: Quando a comida do meu bioma vira “comida de pacote”, meu corpo perde chão. Aí eu fico com mais ruído por dentro — e parece que a anergia começa a se acumular sem saída.

  3. “Suicide among Indigenous peoples in Brazil from 2000 to 2020: a descriptive study” (2023), The Lancet Regional Health – Americas.
    Comentário : Quando eu saio do meu território e entro num mundo que não fala meu ritmo, eu sinto: meu corpo tenta “se encaixar” o tempo todo. Se eu não consigo fechar ciclos de movimento, a anergia vira peso interno — e isso pode quebrar principalmente os mais jovens.

  4. “Multimodal Existential Negation in Ecuadorian Highland Kichwa” (2025), MDPI Languages.
    Comentário: Aqui eu vejo o que eu sinto na pele: língua não é só som. É mão, olhar, postura — uma “carta” do corpo. Quando um nativo para de falar (ex.: Quechua/Kichwa), parece que vem uma tsunami de anergias, porque o corpo perde um jeito inteiro de terminar gestos e pertencer.


2) Adolescência, telas, FOMO e ciclo de movimento incompleto (4)

  1. The Anxious Generation — Jonathan Haidt.
    Comentário: Quando eu vivo em “alerta social” o dia todo, meu corpo não fecha nada: nem descanso, nem movimento completo. Eu fico ligado por fora e travado por dentro.

  2. “Motivational, emotional, and behavioral correlates of fear of missing out (FoMO)” (2013), Computers in Human Behavior.
    Comentário: FOMO é quando eu sinto que sempre falta algo. Eu corro atrás… e não completa. A sensação vira um “meio-movimento” eterno: atenção puxada, peito preso, barriga em prontidão.

  3. “Self-reported social media use by adolescents in Brazil: a school-based survey” (2024), Trends in Psychiatry and Psychotherapy.
    Comentário : Quando eu passo horas em rede social, meu corpo quase não muda de estado. Pouca variação postural, pouca respiração ampla, pouco “fim de ciclo”. A anergia cresce no silêncio do corpo.

  4. “Prevalence of Internet Gaming Disorder in Latin America and the Caribbean: systematic review and meta-analysis” (2022), Frontiers in Psychiatry.
    Comentário (1ª pessoa): No game eu tenho meta, recompensa e “quase-vitória” sem parar. Meu cérebro aprende um tipo de completude digital — mas meu corpo real fica sentado, preso, sem terminar movimentos de verdade.


3) Mentiras, ódio, pensar rápido e a correção que falha (MMN/Zona 3) (4)

  1. Thinking, Fast and Slow — Daniel Kahneman.
    Comentário (1ª pessoa): Quando eu estou tenso, eu viro “pensar rápido”. Eu reajo. Eu replico. E meu corpo entra no modo pedra: ataque/defesa/congelar — pouco espaço para corrigir.

  2. “The spread of true and false news online” (2018), Science.
    Comentário: Mentira costuma vir com choque e emoção rápida. Meu corpo morde a isca: acelera, contrai, compartilha. E eu nem percebo que pulei a etapa da correção.

  3. “Analyzing misinformation claims during the 2022 Brazil general election on WhatsApp, Twitter, and Kwai” (2024), International Journal of Public Opinion Research.
    Comentário : Eu vejo a mesma “ideia” mudando de roupa: texto, áudio, vídeo. Isso me cansa por dentro e me empurra pro automático — porque meu corpo não aguenta ficar checando tudo.

“Trait and state anxiety effects on mismatch negativity to spatio-temporal deviants” (2023).
Comentário: Quando a ansiedade sobe, meu cérebro fica mais sensível ao “erro” — mas não necessariamente corrige melhor. Eu viro detector de ameaça. Aí a segunda onda (a correção) falha mais fácil — e a Zona 3 vira rotina.


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Jackson Cionek

New perspectives in translational control: from neurodegenerative diseases to glioblastoma | Brain States