NIRS fNIRS na Sincronia Neurofisiológica entre Mãe e Filho – Experiências afetivas maternas e a desregulação emocional infantil
NIRS fNIRS na Sincronia Neurofisiológica entre Mãe e Filho – Experiências afetivas maternas e a desregulação emocional infantil
Mother-Child Neurophysiological Synchrony Moderates the Relation Between Maternal Affect Experiences and Child Emotion Dysregulation
Antes de ler, faz um “baseline” em você: pés no chão, solta a língua no céu da boca, e repara onde está a tensão agora. Se o peito está apertado, talvez você já esteja em Zona 1 (funcional) ou até encostando na Zona 3 (rigidez). Se a respiração desce mais livre, você está mais perto da Zona 2 (fruição). Esse artigo é sobre isso — não como opinião, mas como medida: como mãe e criança entram (ou não) numa sincronia neurofisiológica durante um desafio, e como isso se liga ao bem-estar emocional da criança.
A pergunta do pesquisador (em linguagem sentível)
A pergunta que guia o estudo é: o que torna o afeto materno (positivo ou negativo) “virar proteção” ou “virar risco” para a regulação emocional da criança? Mais especificamente: a ligação entre as experiências afetivas da mãe e a desregulação emocional da criança depende de como mãe e filho sincronizam o corpo (RSA/HRV) e o pré-frontal (fNIRS) durante um estressor compartilhado?
Na lente BrainLatam, isso é Quorum Sensing Humano (QSH) aplicado ao cotidiano: o “a gente” não é só uma palavra (TMJ), é um estado compartilhado que pode ser Zona 1, Zona 2 ou Zona 3 — com o mesmo termo, mas qualias diferentes.
Como o desenho experimental tenta responder (e como isso entra no seu corpo)
O estudo trabalha com 80 díades mãe–criança, crianças com cerca de 5 a 7 anos, e escolhe uma situação que todo mundo reconhece no corpo: uma tarefa sob tempo, com pressão e possibilidade de frustração.
1) Aterrissagem (baseline):
Mãe e criança assistem 2 minutos de vídeo de natureza.
Sente o que isso faria com você: os ombros descem um pouco, o olhar abre, e a mente para de “provar valor” por alguns segundos. Esse passo é importante porque, na Mente Damasiana, percepção é estado corporal — então o baseline tenta capturar “como vocês chegam”.
2) O estressor em díade (LEGO impossível de ser perfeito):
Agora vem 5 minutos em que a criança precisa montar um LEGO difícil para a idade. A mãe pode ajudar apenas falando, sem tocar nas peças. E há um cronômetro com alertas sonoros.
Somatiza: o corpo da criança pode oscilar entre foco e frustração; o corpo da mãe pode oscilar entre guia acolhedor e controle ansioso. Esse é o laboratório onde Eus Tensionais aparecem ao vivo. E tem um detalhe decisivo: no fim, os pesquisadores revelam que faltavam peças para completar a construção.
Ou seja: a situação é feita para “puxar” o organismo para previsões rígidas (“preciso terminar!”) e depois quebrar isso. A pergunta vira: a díade entra em rigidez (Zona 3) ou reorganiza (Zona 2)?
3) O que medem durante isso (técnico, mas essencial):
RSA (um marcador vagal associado à regulação autonômica) para mãe e criança, em janelas curtas ao longo da tarefa.
fNIRS no dlPFC (córtex pré-frontal dorsolateral), e um índice de sincronia entre os sinais das duas pessoas usando coerência por wavelet (frequências lentas ligadas ao ritmo do desafio).
Questionários: PANAS para afetos positivos/negativos da mãe na última semana e medida de desregulação emocional infantil (labilidade negativa).
Perceba a inteligência do desenho: eles juntam vida real (afeto da semana) + campo em tempo real (sincronia durante estresse) + resultado clínico funcional (desregulação). Não é só um cérebro isolado: é um sistema.
O que o estudo encontrou (em linguagem de Zonas)
O achado mais forte é uma ideia que dá para sentir: afeto positivo da mãe é mais protetor quando a díade consegue “andar junto” num tipo específico de sincronia.
Quando a sincronia de RSA (mãe–criança) é mais positiva durante a tarefa, o afeto positivo materno se associa a menor desregulação emocional na criança.
Em termos de Zonas: parece um “TMJ” que sustenta Zona 2 — presença regulatória, abertura para reorganizar.Para a sincronia no dlPFC via fNIRS, aparece um padrão semelhante: maior sincronia (reportada especialmente com HbR) também fortalece a associação “afeto positivo → menos desregulação”.
Isso sugere que a regulação não é só “calma no coração”: ela pode envolver também um “andar junto” no pré-frontal durante desafio — como se o sistema compartilhasse uma estratégia para sair do colapso.
E aqui vem uma nuance bem decolonial: sincronia não é automaticamente boa. Sincronia é potência do coletivo. Se o que sincroniza é tensão, medo e rigidez, você pode ter um “a gente” que cola, mas cola em Zona 3. O próprio estudo dá sinais disso ao explorar afetos negativos: em geral, os efeitos não foram robustos, mas aparece uma indicação de que, sob certas sincronias, afeto negativo pode se relacionar a pior regulação.
A ligação natural com pertencimento, religare e política (sem dogma)
Percebe como o estressor do LEGO é quase uma metáfora fisiológica do mundo social? Tempo, pressão sonora e, no fim, “faltam peças”. Isso é um mini-modelo de escassez. Escassez crônica empurra corpos para Zonas de tensão: previsões rígidas, necessidade de controle, busca de pertencimento rápido. O risco é esse pertencimento virar dogma ou inimigo comum (Zona 3). A saída é construir pertencimento como religare — vínculo que regula sem capturar (Zona 2).
É aqui que a ponte com DREX Cidadão nasce do mecanismo, não de ideologia: se a sociedade reduz ameaça metabólica e sustenta o cidadão como “célula viva” (mínimo garantido), ela cria mais condições para sincronias do tipo regulatório — aquelas que permitem reorganização crítica. Não é “resolver tudo com dinheiro”; é reduzir o sequestro corporal por escassez para que a coletividade possa dizer TMJ com qualia de Zona 2: “estamos juntos e seguimos críticos”, sem precisar de dogmas.
O que este artigo entrega para o BrainLatam
Ele mostra, com evidência, que o risco/proteção não está só em uma pessoa, mas na sincronia do sistema mãe–criança sob estresse.
Ele dá um caminho para intervenções: não só “treinar a criança”, mas treinar o território da díade (ritmo, pausas, voz, respiração, previsões).
Ele reforça nosso compromisso: pertencimento que aumenta flexibilidade crítica (Zona 2) é mensurável — e pode ser cultivado.