Jackson Cionek
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Jejum, mTOR e Ritmos Metabólicos

Jejum, mTOR e Ritmos Metabólicos

Série: Respiração, Corpo, Consciência e Troca dos Eus Tensionais


Introdução — Brain Bee (consciência em primeira pessoa)

Há dias em que meu corpo pede expansão.
Comida, força, presença, ocupação.

Em outros, ele pede o oposto.
Menos estímulo, menos entrada, mais silêncio interno.

Se eu escuto, algo se reorganiza sem esforço.
Se eu insisto em manter tudo igual, o cansaço aparece primeiro no corpo — só depois na mente.

Meu corpo não quer constância.
Ele quer ritmo.


mTOR: um interruptor de construção, não um modo permanente

A mTOR (mechanistic Target of Rapamycin) é uma via central do metabolismo celular.
Ela coordena processos de:

  • crescimento,

  • síntese proteica,

  • reparo,

  • expansão tecidual.

Quando a mTOR está ativa, o corpo está em modo de construção.

Isso é essencial para:

  • hipertrofia,

  • recuperação pós-treino,

  • cicatrização,

  • crescimento.

Mas a mTOR não foi feita para ficar ligada o tempo todo.


Reduzir mTOR também é função vital

Quando a mTOR reduz sua atividade, outros processos ganham espaço:

  • reciclagem celular,

  • reorganização metabólica,

  • ajuste fino de sistemas,

  • economia energética.

Esse estado não é perda.
É manutenção profunda.

Jejum, redução de estímulos e pausas metabólicas não são estratégias modernas.
São ritmos ancestrais do corpo vivo.


Alternância é a regra, não a exceção

A vida saudável se sustenta na alternância entre:

  • construir ↔ reorganizar,

  • expandir ↔ recolher,

  • tensionar ↔ soltar.

Manter o corpo permanentemente em construção:

  • eleva custo metabólico,

  • reduz sensibilidade interoceptiva,

  • estreita a variabilidade fisiológica.

Manter o corpo permanentemente em restrição:

  • empobrece adaptação,

  • reduz potência,

  • limita expressão.

O problema não é um estado.
É a ausência de troca.


Treino, alimentação e jejum como Eus Tensionais

Cada um desses estados sustenta um Eu Tensional específico.

  • Treino intenso + alimentação
    → Eu de ação, força, expansão
    → mTOR ativa, simpático predominante

  • Alimentação leve + repouso ativo
    → Eu de manutenção
    → equilíbrio autonômico

  • Jejum controlado + menor estímulo
    → Eu de reorganização
    → mTOR reduzida, maior sensibilidade interoceptiva

Nenhum desses Eus é melhor.
Todos são funcionais no tempo certo.


Respiração acompanha o estado metabólico

Esses estados não se manifestam apenas no metabolismo.
Eles aparecem claramente na respiração.

  • Em construção:

    • respiração mais curta,

    • maior tônus,

    • menor pausa expiratória.

  • Em reorganização:

    • respiração mais solta,

    • expiração ampliada,

    • maior variação.

A respiração não cria o estado metabólico sozinha,
mas o sustenta e o revela.


Quando o ritmo se perde

Em contextos culturais que exigem:

  • produtividade constante,

  • alimentação contínua,

  • estímulo permanente,

o corpo perde espaço para reorganizar.

A mTOR tende a permanecer elevada.
O sistema autonômico perde variação.
A interocepção fica embotada.

O corpo não adoece por excesso de crescimento.
Ele sofre por ausência de pausa.


Jejum não é método, é linguagem corporal

Jejum não precisa ser técnica rígida nem prescrição universal.
Ele pode ser entendido como linguagem do corpo pedindo reorganização.

Quando imposto sem escuta, vira estresse.
Quando surge como necessidade sentida, vira ajuste fino.

O corpo sabe quando construir
e quando soltar.


Reconhecendo o ritmo no próprio corpo

Sem dogma.

Observe:

  • Meu corpo pede comida ou pausa?

  • Sinto potência ou saturação?

  • Minha respiração acompanha expansão ou recolhimento?

  • Consigo alternar sem culpa?

Essas respostas revelam mais do que qualquer protocolo.


Fechamento

mTOR não é vilã nem salvadora.
Ela é um dos ritmos da vida.

Treinar, comer e jejuar não são opostos.
São formas diferentes de existir no tempo.

Quando o corpo pode alternar, ele permanece saudável.
Quando fica preso, ele se defende.

Aprender a viver é aprender a respeitar o ritmo.


Este texto faz parte da série Respiração, Corpo, Consciência e Troca dos Eus Tensionais, onde diferentes aspectos do mesmo sistema vivo são abordados por ângulos complementares.


Referências (pós-2020)

Liu, G. Y., & Sabatini, D. M. (2020). mTOR at the Nexus of Nutrition, Growth, Ageing and Disease. Nature Reviews Molecular Cell Biology.
→ Revisão central sobre a mTOR como integradora de nutrientes, crescimento e manutenção celular.

Saxton, R. A., & Sabatini, D. M. (2021). mTOR Signaling in Growth, Metabolism, and Disease. Cell.
→ Detalha como a mTOR alterna estados de construção e reorganização metabólica.

Madeo, F., et al. (2020). Caloric Restriction and Fasting: Molecular Mechanisms. Science.
→ Descreve os mecanismos celulares ativados quando a mTOR é reduzida por jejum.

de Cabo, R., & Mattson, M. P. (2020). Effects of Intermittent Fasting on Health, Aging, and Disease. New England Journal of Medicine.
→ Relaciona jejum intermitente à reorganização metabólica e adaptação sistêmica.

González, J. T., et al. (2021). Exercise, Nutrition and mTOR Signaling. Sports Medicine.
→ Integra treino, alimentação e ativação da mTOR em contextos fisiológicos normais.

Kim, Y. C., & Guan, K. L. (2021). mTOR: A Pharmacologic Target in Aging and Metabolic Diseases. Journal of Clinical Investigation.
→ Explora o papel regulatório da mTOR e a importância de sua modulação temporal.

Longo, V. D., et al. (2021). Fasting and Fasting-Mimicking Diets. Cell Metabolism.
→ Discute jejum como ferramenta de reorganização metabólica, não como estado contínuo.

Dethlefsen, M. M., et al. (2022). Metabolic Flexibility and Cellular Adaptation. Frontiers in Physiology.
→ Relaciona alternância metabólica à capacidade adaptativa dos sistemas vivos.









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Jackson Cionek

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