Jackson Cionek
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Taa: Saber que Vem do Corpo

Taa: Saber que Vem do Corpo

Série: Respiração, Corpo, Consciência e Troca dos Eus Tensionais


Introdução — Brain Bee (consciência em primeira pessoa)

Eu posso ler sobre respiração.
Posso entender gráficos, conceitos e explicações.

Mas só quando meu corpo muda o ritmo,
só quando minha postura se reorganiza,
só quando algo em mim se sente diferente,
é que o saber acontece de verdade.

Antes disso, é informação.
Depois disso, é vivência.

Meu corpo sabe quando algo é real.


Taa: saber que não cabe apenas na linguagem

Em muitas tradições indígenas, Taa não é conhecimento acumulado.
É conhecimento incorporado.

Taa acontece quando:

  • o corpo reconhece,

  • o sentir se reorganiza,

  • a ação muda sem precisar de explicação.

Ler informa.
Ouvir orienta.
Mas só viver transforma o corpo.

Esse princípio não é filosófico.
Ele é fisiológico.


Por que ler não muda o corpo sozinho

A leitura atua principalmente em:

  • redes semânticas,

  • linguagem,

  • memória declarativa.

Ela pode:

  • ampliar repertório,

  • organizar conceitos,

  • gerar intenção.

Mas ela não altera diretamente:

  • padrões respiratórios,

  • tônus postural,

  • reflexos autonômicos,

  • variabilidade cardíaca.

Sem vivência, o corpo continua igual.
E a consciência corporal também.


Vivência como reorganização fisiológica

Quando algo é vivido corporalmente:

  • a respiração muda,

  • a postura se ajusta,

  • o coração varia,

  • o cérebro responde de outro modo.

Isso aparece claramente em medidas objetivas:

  • EEG,

  • ERP,

  • NIRS/fNIRS.

Não como símbolo,
mas como mudança real de sinal.


EEG e o saber vivido

Em EEG, vivências corporais consistentes:

  • alteram padrões de potência,

  • reorganizam conectividade funcional,

  • modulam ritmos (alfa, teta, gama).

Essas mudanças:

  • não aparecem apenas por entender um conceito,

  • surgem quando o corpo entra em outro estado.

O cérebro aprende quando o corpo entra no aprendizado.


ERP: o tempo do corpo aprendendo

Os potenciais evocados (ERP) mostram algo crucial:

  • o cérebro responde diferente antes da decisão consciente,

  • estados corporais mudam latências e amplitudes.

Após uma vivência corporal:

  • estímulos iguais geram respostas diferentes,

  • a atenção se reorganiza,

  • o corpo já sabe “antes”.

Isso é Taa em nível neural.


fNIRS: o corpo ensinando o cérebro

Em fNIRS, mudanças corporais reais:

  • alteram oxigenação pré-frontal,

  • modificam recrutamento cortical,

  • refletem esforço, fruição ou reorganização.

Respiração, postura e ritmo cardíaco
aparecem diretamente nos sinais.

O corpo ensina o cérebro
e o fNIRS registra.


Taa, Eus Tensionais e pertencimento

Um Eu Tensional não muda porque foi convencido.
Ele muda quando:

  • o corpo encontra outro modo de existir,

  • a respiração abre espaço,

  • a postura permite,

  • o sentir se reorganiza.

Isso gera:

  • novo pertencimento corporal,

  • nova relação com o ambiente,

  • nova forma de agir.

Esse é o saber que permanece.


Concordância com a ciência, não oposição

A visão indígena de Taa não contradiz a neurociência moderna.
Ela a antecipa.

Hoje sabemos que:

  • aprendizado profundo é dependente de estado corporal,

  • cognição é corporificada,

  • consciência emerge da interação corpo–cérebro–ambiente.

Taa é uma descrição ancestral
do que a ciência mede hoje.


Quando a cultura bloqueia o Taa

Culturas que privilegiam apenas:

  • leitura,

  • repetição,

  • crença verbal,

podem gerar corpos:

  • tensos,

  • pouco variantes,

  • com baixa escuta interoceptiva.

O saber fica na cabeça.
O corpo permanece igual.

E sem corpo, não há transformação real.


Reconhecendo o Taa em si

Perguntas simples:

  • Meu corpo mudou ou só entendi?

  • Minha respiração se reorganizou?

  • Minha postura encontrou outro eixo?

  • Meu sentir ficou diferente?

Se não houve mudança corporal,
o saber ainda não chegou.


Fechamento

Taa não é crença.
Não é informação.
Não é acúmulo.

Taa é quando:

o corpo aprende
e a consciência acompanha.

A ciência mede isso.
O corpo confirma.
E a vida continua.


Este texto faz parte da série Respiração, Corpo, Consciência e Troca dos Eus Tensionais, onde diferentes aspectos do mesmo sistema vivo são abordados por ângulos complementares.


Referências (pós-2020)

Varela, F. J., Thompson, E., & Rosch, E. (edições recentes / releituras pós-2020). The Embodied Mind. MIT Press.
→ Fundamenta a cognição como processo corporificado, alinhado ao conceito de Taa.

Allen, M., et al. (2021). Interoceptive Learning and the Predictive Brain. Nature Reviews Neuroscience.
→ Mostra como vivências corporais alteram aprendizado e inferência cerebral.

Berntson, G. G., & Khalsa, S. S. (2021). Neural Circuits of Interoception. Trends in Cognitive Sciences.
→ Descreve a base neural do saber corporal antes da linguagem.

Park, H. D., et al. (2022). EEG Markers of Interoceptive Awareness. NeuroImage.
→ Relaciona vivência corporal a mudanças mensuráveis em EEG.

Herold, F., et al. (2021). Functional Brain Changes Induced by Physical and Bodily States. Neuroscience & Biobehavioral Reviews.
→ Mostra como estados corporais reorganizam a atividade cerebral.

Tachtsidis, I., & Scholkmann, F. (2021). Systemic Physiology and fNIRS Signals. Neurophotonics.
→ Demonstra a concordância entre vivência corporal e sinais fNIRS.

Critchley, H. D., & Garfinkel, S. N. (2021). Interoception and Conscious Experience. Current Opinion in Psychology.
→ Relaciona sentir corporal e formação da experiência consciente.

Seth, A. K. (2021). Being You: A New Science of Consciousness. Faber & Faber.
→ Integra ciência contemporânea da consciência com percepção corporal vivida.







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Jackson Cionek

New perspectives in translational control: from neurodegenerative diseases to glioblastoma | Brain States