Jackson Cionek
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Musculação, Força e Memória no APUS

Musculação, Força e Memória no APUS

Série: Respiração, Corpo, Consciência e Troca dos Eus Tensionais


Introdução — Brain Bee (consciência em primeira pessoa)

Quando levanto um peso, meu corpo não está apenas fazendo força.
Ele está aprendendo um jeito de existir.

Sinto músculos que se contraem antes mesmo de eu pensar.
Sinto regiões que endurecem, outras que incham levemente depois do esforço.
No dia seguinte, alguns movimentos parecem mais fáceis. Outros, mais curtos.

Nada disso é erro.
Nada disso é excesso.

É o meu corpo gravando memória no espaço.


Força não é só potência: é memória corporal

Costumamos pensar a musculação apenas como ganho de força ou estética.
Mas, do ponto de vista corporal, ela é algo mais profundo:

musculação é memória proprioceptiva aplicada.

Cada repetição:

  • reforça trajetórias de movimento,

  • estabiliza articulações,

  • cria encurtamentos funcionais,

  • aumenta volume e rigidez temporária de fibras.

Isso facilita tarefas específicas.
É exatamente por isso que funciona.


APUS: o corpo como território aprendido

O APUS — a propriocepção estendida — não é apenas “postura”.
É o modo como o corpo se reconhece no espaço, sob gravidade, carga e direção.

Quando treinamos:

  • o APUS aprende onde sustentar,

  • aprende onde endurecer,

  • aprende onde economizar energia.

O corpo passa a “saber” como agir sem consultar a mente.

Esse saber é útil.
Mas, como todo aprendizado, também cria limites.


Tensão como aliada, não como inimiga

Tensão muscular não é algo a ser evitado.
Ela é o que permite:

  • levantar,

  • empurrar,

  • sustentar,

  • proteger.

Durante a musculação, o corpo cria eus tensionais funcionais:

  • um eu de força,

  • um eu de estabilidade,

  • um eu de prontidão mecânica.

Esses eus são necessários.

O problema não é criá-los.
O problema é não conseguir soltá-los.


Encurtamento e inchaço: adaptações normais

Do ponto de vista fisiológico:

  • fibras se adaptam ao comprimento mais usado,

  • tecidos ganham tônus,

  • há micro-inflamação adaptativa,

  • ocorre inchaço transitório que sinaliza crescimento.

Isso:

  • melhora desempenho,

  • aumenta eficiência,

  • reduz custo metabólico da tarefa treinada.

Ao mesmo tempo:

  • diminui amplitude de movimentos não usados,

  • reduz flexibilidade global,

  • pode tornar a respiração mais localizada ou contida.

Tudo isso faz parte da normalidade adaptativa.


Quando a força vira rigidez

Se o corpo só repete os mesmos padrões:

  • o APUS se especializa demais,

  • a variabilidade cai,

  • outros eus tensionais perdem espaço.

A rigidez não surge porque a musculação “faz mal”.
Ela surge porque o corpo não encontra variação suficiente.

Aqui, o problema não é muscular.
É territorial.

O corpo passa a habitar um APUS estreito.


Respiração e musculação: uma conversa silenciosa

Durante esforço:

  • a respiração tende a se encurtar,

  • a expiração perde espaço,

  • o tônus simpático sobe.

Isso é esperado.

Mas se esse padrão se mantém fora do treino:

  • o RMSSD tende a cair,

  • o nervo vago perde atuação,

  • o corpo permanece em prontidão.

A musculação, então, deixa de ser estímulo
e vira estado permanente.


Força saudável é força que pode variar

Um corpo forte não é o corpo mais rígido.
É o corpo que:

  • sabe tensionar,

  • sabe sustentar,

  • e sabe retornar.

Quando há espaço para:

  • outros movimentos,

  • outras posturas,

  • respirações diferentes,

o APUS se expande novamente.

Força sem variação vira prisão.
Força com variação vira liberdade funcional.


Reconhecendo isso no próprio corpo

Sem julgamento.

Observe:

  • Meu corpo consegue mudar de padrão fora do treino?

  • Minha respiração volta a se distribuir?

  • Consigo acessar movimentos não treinados?

  • A tensão que ganho também sabe ir embora?

Essas respostas dizem mais sobre saúde do que qualquer carga levantada.


Fechamento

A musculação não cria problemas.
Ela cria memória.

O APUS aprende o que fazemos com ele.
E, como todo aprendizado, precisa de contexto, variação e espaço.

Força é um eu tensional necessário.
Mas saúde é poder não ser apenas ele.


Este texto faz parte da série Respiração, Corpo, Consciência e Troca dos Eus Tensionais, onde diferentes aspectos do mesmo sistema vivo são abordados por ângulos complementares.


Referências (pós-2020)

Behm, D. G., et al. (2021). The Science and Physiology of Flexibility and Resistance Training. Sports Medicine.
→ Analisa como o treinamento de força altera comprimento muscular, rigidez e amplitude de movimento.

Schoenfeld, B. J., et al. (2021). Mechanisms of Muscle Hypertrophy and Their Application to Resistance Training. Journal of Strength and Conditioning Research.
→ Descreve os processos fisiológicos de hipertrofia, incluindo inchaço adaptativo e remodelação tecidual.

Muehlbauer, T., et al. (2020). Proprioception and Strength Training Adaptations. Frontiers in Physiology.
→ Demonstra como o treinamento de força modifica a propriocepção e o controle motor.

Proske, U., & Gandevia, S. C. (2021). The Proprioceptive Senses: Their Roles in Signaling Body Shape, Position and Movement. Physiological Reviews.
→ Fundamenta o conceito de propriocepção como base do aprendizado corporal e do APUS.

Aagaard, P., et al. (2020). Neural Adaptations to Resistance Training. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports.
→ Mostra que ganhos iniciais de força são majoritariamente neurais, reforçando a ideia de memória corporal.

Hackney, K. J., et al. (2021). Inflammatory and Recovery Responses to Resistance Exercise. European Journal of Applied Physiology.
→ Discute a inflamação adaptativa e o inchaço muscular como parte normal do processo de fortalecimento.

Kwon, Y. H., et al. (2022). Resistance Training and Autonomic Nervous System Modulation. Frontiers in Neuroscience.
→ Relaciona treinamento de força com alterações autonômicas e HRV.

Blazevich, A. J., & Babault, N. (2020). Post-Activation Potentiation and Muscle Function. Sports Medicine.
→ Explora como estados tensionais temporários melhoram desempenho, mas exigem recuperação para não se fixarem.







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