Jackson Cionek
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Terras Raras Também Serão Coisas de Rico?

Terras Raras Também Serão Coisas de Rico?

Subtítulo: Psicopatologia do Estado Brasileiro

1. Abertura — Fractal, 17 anos

Terras raras parecem coisa distante.

Mas estão no celular, nos satélites, nos chips, nos carros elétricos, nas turbinas e nas tecnologias do futuro.

Agora pergunta:

se isso é estratégico para o Brasil, por que entregar rápido para poucos?

Quando algo pertence ao território, não deveria virar apenas negócio de rico.

Deveria virar soberania nacional.


2. Aprofundamento

O Brasil discute uma política para minerais críticos e estratégicos. O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que o PL 2780/2024 deve avançar e disse que a proposta pode gerar investimentos em educação e mão de obra qualificada. (Portal da Câmara dos Deputados)

Mas aqui está o ponto crítico:

falar em educação e bem social pode ser bonito, mas não resolve se a estrutura entregar o controle da riqueza estratégica para poucos.

Foi assim com a Vale.

Um patrimônio estratégico saiu da mão do Estado e passou a operar dentro da lógica do lucro privado.

Agora o risco se repete com as terras raras.

O PL 2780/2024 institui uma política nacional para minerais críticos, estratégicos e terras raras. (Portal da Câmara dos Deputados) Segundo a CNI, o projeto propõe incentivos fiscais, financeiros e creditícios para fomentar essa cadeia produtiva. (Agencia de Notícias CNI)

Ou seja:

o Estado organiza, incentiva, reduz risco e abre caminho.

Mas quem fica com o controle?

Quem lucra?

Quem paga o custo ambiental?

Aqui aparece a falácia neoliberal.

Dizem que a “mão invisível do mercado” organiza tudo melhor que o Estado.

Mas, na prática, essa mão invisível muitas vezes aparece como lobby, porta giratória, influência sobre políticos, pressão sobre bancos centrais, captura de funcionários públicos e privatizações mal explicadas.

O mercado diz que quer menos Estado, mas usa o Estado para proteger seus privilégios.

E quando os ricos não pagam impostos proporcionais, o famoso “gotejamento” financeiro nunca chega ao povo.

Ele só aumenta a distância entre quem já tem muito e quem vive tentando sobreviver.

Por isso, terras raras não podem ser tratadas como mercadoria comum.

Terras raras são soberania nacional.

Elas pertencem ao corpo-território brasileiro.

Pertencem ao cidadão.

E o Estado deve explorar com responsabilidade, transparência, ciência, controle ambiental e retorno social direto.

Aqui o DREX Cidadão entra como chave conceitual:

se o cidadão é a unidade do Estado, a riqueza estratégica do território também deve retornar ao cidadão.

Não como esmola.

Não como promessa de campanha.

Mas como pertencimento econômico real.

Há propostas que apontam nessa direção, como o PL 534/2026, que propõe uma moratória temporária da exploração de terras raras com fundamento na precaução e na soberania nacional. (Portal da Câmara dos Deputados) Também há o PL 1754/2026, que propõe a TerraBras, empresa pública destinada à soberania nacional e ao aproveitamento de minerais críticos ou estratégicos. (Portal da Câmara dos Deputados)

Um Estado inclusivo não entrega o futuro para poucos.

Ele faz do cidadão o dono simbólico, político e econômico do próprio Estado.

Terras raras não são só minério.

São soberania.

São futuro.

São corpo-território.


3. Metacognição

Agora traz isso para dentro.

Quando você ouve “privatização”, o que sente?

Modernidade?
Eficiência?
Alívio?

Agora pergunta:

quem te ensinou a sentir isso?

E quando você ouve “empresa pública”, sente o quê?

Desconfiança?
Burocracia?
Atraso?

Talvez seu corpo já tenha sido treinado para amar o mercado e desconfiar do Estado.

Essa é a psicopatologia.

Se tudo que é público parece ruim, fica fácil entregar tudo que é estratégico.

Mas sem território, não há futuro.

Sem soberania, não há povo.

Sem controle público, terras raras viram novamente coisas de rico.

A pergunta final é simples:

isso amplia a vida do Brasil ou estreita o país para caber no lucro de poucos?


Referências em ordem didática

Livros

  1. Ailton Krenak — Ideias para Adiar o Fim do Mundo
    Ajuda a pensar território como vida, não como estoque de exploração.

  2. Davi Kopenawa & Bruce Albert — A Queda do Céu
    Mostra como mineração pode destruir mundo vivo, memória e pertencimento.

  3. Raymundo Faoro — Os Donos do Poder
    Explica como elites historicamente capturam o Estado brasileiro.

  4. Jessé Souza — A Elite do Atraso
    Ajuda a compreender como narrativas de modernização podem esconder privilégios.

  5. Coisa de Rico
    Reforça como bens estratégicos podem ser apropriados por elites sob aparência de desenvolvimento.

  6. Mariana Mazzucato — O Estado Empreendedor
    Mostra que o Estado pode criar valor e não deve apenas socializar risco e privatizar lucro.

Publicações e documentos pós-2021

  1. Câmara dos Deputados — PL 2780/2024 / minerais críticos
    Mostra o avanço da pauta de minerais críticos no Congresso e o apoio de Hugo Motta à votação do tema. (Portal da Câmara dos Deputados)

  2. CNI — debate sobre minerais críticos
    Aponta que o PL propõe incentivos fiscais, financeiros e creditícios para o setor. (Agencia de Notícias CNI)

  3. PL 534/2026 — moratória das terras raras
    Propõe pausa na exploração até uma política nacional clara, com base em precaução e soberania nacional. (Portal da Câmara dos Deputados)

  4. PL 1754/2026 — TerraBras
    Propõe empresa pública e regime estratégico para minerais críticos, com foco em soberania nacional. (Portal da Câmara dos Deputados)

  5. INESC — nota técnica sobre PL 2780/2024
    Critica o projeto por ir na contramão de uma estratégia nacional para minerais críticos. (inesc.org.br)






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Jackson Cionek

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