Jackson Cionek
49 Views

Soberania Nacional para Todo Corpo-Território — Human Behavior Map

Soberania Nacional para Todo Corpo-Território — Human Behavior Map

Um mapa para a gente aprender onde está sendo

Antes de saber quem somos, já estamos aprendendo modos de ser.

Antes das palavras.

Antes das crenças.

Antes das explicações.

Antes dos rótulos.

O corpo já estava percebendo.

O corpo já estava sentindo.

O corpo já estava procurando segurança.

O corpo já estava buscando pertencimento.

O corpo já estava aprendendo com outros corpos, outros espaços, outros sons, outros cheiros, outras regras, outros medos e outras formas de cuidado.

Talvez por isso a pergunta mais importante da adolescência seja:

O que estou aprendendo a ser?

Essa pergunta abre o Human Behavior Map.

É um mapa de localização.

É uma ferramenta de observação.

É um jeito simples de perceber corpo, clãs, ambientes, recursos e possibilidades.

É uma forma de abrir caminhos sem prender a gente em rótulos.

1. A gente é Corpo-Território

A gente costuma imaginar o Estado em prédios, leis, documentos e instituições.

Mas o Estado começa no corpo vivo que precisa de água, alimento, escola, saúde, segurança, internet, cultura, proteção, liberdade e futuro.

O Corpo-Território é a unidade viva mínima do Estado.

Cada adolescente é um Corpo-Território.

Isso significa que a gente é mais do que aluno, filho, paciente, fiel, torcedor, gamer, trabalhador futuro ou eleitor futuro.

A gente é uma unidade viva do Estado Democrático de Direito.

Quando a gente se percebe assim, algo muda.

A gente passa a sentir que participa da construção do território.

O Estado se torna o modo como a gente se organiza para cuidar da vida comum.

2. O Estado também acontece dentro da gente

Todo Corpo-Território já possui pequenas formas de Estado acontecendo dentro de si.

Temos um Executivo: a parte que faz, levanta, anda, age, tenta, cria, constrói.

Temos um Legislativo: a parte que planeja, imagina regras, faz acordos, organiza escolhas, pensa caminhos.

Temos um Judiciário: a parte que lembra, compara, avalia consequências, reconhece padrões e aprende com experiências.

Essas três forças atuam juntas.

Às vezes a gente quer fazer e precisa planejar.

Às vezes a gente planeja muito e precisa recuperar movimento.

Às vezes a memória pesa e pede cuidado.

Às vezes a ação aparece antes da reflexão.

O Human Behavior Map ajuda a perceber essas forças em movimento.

A gente está sempre inteiro, mesmo quando recorta para entender.

3. A dor é informação legítima

Dor é sinalização do Corpo-Território.

Pode ser dor física.

Pode ser endometriose.

Pode ser ansiedade.

Pode ser solidão.

Pode ser rejeição.

Pode ser luto.

Pode ser medo.

Pode ser cansaço.

Pode ser vergonha.

Pode ser fome.

Pode ser violência.

Pode ser a sensação de perder pertencimento.

A dor sinaliza que algum processo precisa de escuta, recurso, proteção, cuidado, movimento ou reorganização.

A gente aprende a se regular.

Também aprende que muitas regulações acontecem em rede.

Quando a sinalização fica maior do que nossa capacidade de regulação, a gente amplia o cuidado.

Pode ser SUS.

Pode ser escola.

Pode ser professor.

Pode ser CAPS.

Pode ser assistência social.

Pode ser polícia.

Pode ser Defensoria.

Pode ser família possível.

Pode ser outro clã.

Pode ser ciência.

Pode ser cultura.

Pode ser uma comunidade que abre espaço para o corpo continuar sinalizando e se reorganizando.

Pedir ajuda também é soberania do Corpo-Território.

4. Yãy hã mĩy estendido: antes da linguagem, a gente já aprende a ser

O povo Maxakali usa a expressão Yãy hã mĩy para falar do processo de imitar e tornar-se aquilo que se busca compreender.

No Human Behavior Map, usamos essa ideia de forma estendida.

Antes de saber quem somos, já estamos aprendendo modos de ser.

A gente aprende observando.

A gente aprende imitando.

A gente aprende convivendo.

A gente aprende pertencendo.

A gente aprende tentando.

A gente aprende errando.

A gente aprende quando o corpo sente que pode ficar.

A gente aprende quando o corpo sente que precisa sair.

A adolescência é um momento em que muitos modos de ser aparecem ao mesmo tempo.

Um eu na escola.

Um eu em casa.

Um eu entre amigos.

Um eu apaixonado.

Um eu com medo.

Um eu que quer aparecer.

Um eu que quer silêncio.

Um eu que quer criar.

Um eu que quer obedecer.

Um eu que quer romper.

Essas versões são modos reais do corpo se organizar diante de ambientes, tarefas, pessoas e expectativas.

Na Neurociência Decolonial, chamamos essas configurações de Eus Tensionais.

5. dEUS como metacognição dos Eus Tensionais

Aqui, dEUS aparece como conceito científico.

dEUS é a função metacognitiva que observa os diferentes Eus Tensionais tentando atuar dentro do Corpo-Território.

Alguns Eus Tensionais parecem obedecer melhor.

Outros escapam.

Alguns aparecem quando a gente quer ser aceito.

Outros quando a gente sente ameaça.

Outros quando a gente quer vencer.

Outros quando a gente precisa descansar.

Outros quando a gente sente desejo, vergonha, raiva, alegria, coragem ou medo.

dEUS é a tentativa de perceber esse conjunto.

É a capacidade de olhar para os próprios movimentos internos e perguntar:

O que está tentando agir em mim agora?

Esse modo de ser respeita meu corpo?

Esse modo de ser respeita outros corpos?

Esse modo de ser amplia minha vida ou reduz meu movimento?

dEUS ajuda a gente a perceber.

E perceber já muda o mapa.

6. APUS e Tekoha: um ciclo contínuo

A gente existe sentindo e se posicionando ao mesmo tempo.

Tekoha é o mundo entrando no corpo.

É fome.

Calor.

Frio.

Medo.

Acolhimento.

Dor.

Cheiro.

Som.

Memória.

Cansaço.

Desejo.

Tensão.

Pertencimento.

APUS é o corpo se posicionando no mundo.

É postura.

Movimento.

Distância.

Aproximação.

Fuga.

Presença.

Território.

Caminho.

Lugar.

Direção.

Tekoha e APUS formam um ciclo vivo.

O fora entra.

O dentro responde.

O corpo se move.

O mundo devolve sinais.

E a gente aprende novos modos de ser.

7. Clãs Inclusivos e Exclusivos

A gente participa de muitos clãs.

Família.

Amigos.

Escola.

Religião.

Esporte.

Arte.

Ciência.

Comunidade gamer.

Movimento cultural.

Grupo online.

Profissão futura.

Território.

Os Clãs Inclusivos constroem pontes.

Eles ampliam circulação, cooperação, aprendizado e convivência.

Os Clãs Exclusivos expressam a peculiaridade de cada pessoa em participar deste ou daquele conjunto de pertencimentos.

“Exclusivo” aqui significa singular.

Cada Corpo-Território tem combinações próprias.

Alguns encontram regulação em comunidades religiosas.

Outros em ambientes científicos.

Outros em grupos esportivos.

Outros em arte.

Outros em silêncio.

Outros em natureza.

Outros em grupos profissionais.

Outros em formas híbridas.

Família existe para ampliar possibilidades de vida.

Escola existe para ampliar possibilidades de vida.

Religião existe para ampliar possibilidades de vida.

Amizade existe para ampliar possibilidades de vida.

Estado existe para ampliar possibilidades de vida.

O Human Behavior Map lembra:

a gente pertence e continua maior que qualquer pertencimento isolado.

8. O mapa prático: perguntas para se localizar

Quando a gente estiver confuso, feliz, com dor, animado, apaixonado, perdido, irritado, travado ou procurando direção, podemos abrir o mapa com calma.

A primeira pergunta é:

O que estou aprendendo a ser?

Depois a gente pode observar:

O que meu corpo está sinalizando agora?
Dor, fome, tensão, calma, medo, vontade, alegria, cansaço?

Qual Eu Tensional apareceu com mais força?
O eu que quer agradar? O eu que quer fugir? O eu que quer atacar? O eu que quer criar? O eu que quer descansar?

Qual clã está me ampliando?
Quem me ajuda a respirar melhor, pensar melhor, criar melhor, viver melhor?

Qual clã está me reduzindo?
Onde sinto que meu corpo perde espaço para existir inteiro?

Que recurso do Estado maior pode me ajudar?
SUS, escola, cultura, esporte, segurança, assistência, universidade, instituto federal, Defensoria, Conselho Tutelar, CAPS, biblioteca, laboratório, bolsa, transporte?

Como APUS e Tekoha estão dialogando?
O que o mundo colocou dentro de mim? Como meu corpo está tentando responder no mundo?

O que dEUS está percebendo?
Quais Eus Tensionais pedem cuidado? Qual movimento respeita mais meu corpo e os outros corpos?

Qual é o próximo pequeno passo possível?

O mapa ajuda a localizar movimento.

9. Sou o mundo que percebo existir

A gente vive o mundo que nosso Corpo-Território consegue perceber, sentir, interpretar e construir.

Luz vira visão.

Som vira sentido.

Dor vira sinal.

Afeto vira pertencimento.

Ameaça vira defesa.

Cuidado vira confiança.

Memória vira caminho.

Clã vira referência.

Estado vira proteção.

Mundo vira experiência.

Por isso, uma frase pode nos acompanhar:

Sou o mundo que percebo existir.

Tudo o que chamamos de mundo precisa passar pelo corpo para virar percepção.

E se a percepção pode ser cuidada, o futuro também pode ser reconfigurado.

10. Neurociência Decolonial: do todo para o recorte

A Neurociência Decolonial parte do todo vivo.

DNA.

Corpo.

Território.

Interocepção.

Propriocepção.

Percepção.

Afeto.

Memória.

Aprendizagem.

Clãs.

Jiwasa.

Estado.

Depois fazemos recortes.

Estudamos cérebro.

Estudamos redes neurais.

Estudamos córtex pré-frontal.

Estudamos conectoma.

Estudamos interocepção.

Estudamos comportamento.

Estudamos cultura.

Estudamos grupos.

O recorte continua necessário.

Ele ajuda a aprender.

Ele ajuda a medir.

Ele ajuda a testar.

Ele ajuda a criar ciência com evidência.

A diferença é que o recorte serve ao todo vivo.

A gente usa a tesoura para entender.

Depois volta ao corpo inteiro.

Ao território inteiro.

À vida inteira.

A Neurociência Decolonial reconhece que o ser humano pode ser estudado em detalhes sem abandonar as perguntas amplas do ser e existir diário.

11. Human Behavior Map

Um dia, essa ideia pode virar um grande encontro internacional.

Um Human Behavior Map.

Um evento latino-americano para estudar comportamento humano, consciência, corpo, território, pertencimento, tecnologia, Estado, democracia, clãs, juventude e soberania cognitiva.

Assim como existem grandes eventos sobre cérebro, também podemos criar um grande evento sobre os mapas vivos do comportamento humano.

Mas esse evento começa antes.

Começa quando um adolescente percebe:

meu corpo sinaliza.

meus clãs influenciam.

meu Estado começa em mim.

meus Eus Tensionais podem ser observados.

minha dor merece recurso.

meu pertencimento pode se ampliar.

minha liberdade precisa de espaço, cuidado e responsabilidade.

eu posso aprender novos modos de ser.

Fechamento

O Human Behavior Map existe para ajudar a gente a se localizar.

Ele lembra que a gente é Corpo-Território.

Que a gente aprende modos de ser antes da linguagem.

Que a gente participa de clãs e continua maior que cada pertencimento isolado.

Que a dor merece escuta e recurso.

Que APUS e Tekoha formam um ciclo vivo entre dentro e fora.

Que dEUS pode observar os Eus Tensionais com metacognição.

Que Jiwasa nos ajuda a perceber juntos.

Que o Estado maior existe para ampliar a proteção dos Corpos-Territórios que o constituem.

A primeira pergunta continua:

O que estou aprendendo a ser?

E a percepção final talvez seja:

Sou o mundo que percebo existir.

Quando a gente aprende a perceber isso, a soberania vira cuidado.

Vira mapa.

Vira corpo.

Vira território.

Vira vida compartilhada.

Referências — do DNA ao comportamento, clãs e Estado

  1. Levin, M. (2022–2025). Trabalhos sobre cognição basal, bioeletricidade, desenvolvimento e inteligência distribuída em sistemas vivos. Base para pensar vida, forma e organização antes da linguagem.

  2. Noble, D. (2021–2025). Biologia sistêmica, organismo como rede regulatória e crítica à redução do vivo a genes isolados. Base para pensar DNA dentro do corpo vivo e do ambiente.

  3. Friston, K.; Pezzulo, G. et al. (2024). “Active inference as a theory of sentient behavior.” Revisão sobre inferência ativa, percepção, ação e modelos internos do organismo. (ScienceDirect)

  4. Berntson, G. G.; Khalsa, S. S. (2021). “Neural Circuits of Interoception.” Revisão sobre circuitos neurais da interocepção e vias corpo-cérebro. (PMC)

  5. Feldman, M. J. et al. (2024). “The neurobiology of interoception and affect.” Discussão sobre como sinais corporais contribuem para estados afetivos. (ScienceDirect)

  6. Kirsch, W. et al. (2023). “On the Role of Interoception in Body and Object Perception.” Integração entre sinais interoceptivos, exteroceptivos e percepção corporal. (Sage Journals)

  7. Damasio, A. (referência conceitual). Mente, corpo, sentimentos e consciência como processos incorporados. Base para Mente Damasiana.

  8. Seth, A.; Friston, K. (referência conceitual). Inferência interoceptiva e construção perceptiva do self corporal.

  9. Muthukrishna, M.; Henrich, J. et al. (2020, debates pós-2021). “Beyond WEIRD Psychology.” Debate sobre limites de generalizar psicologia baseada em populações ocidentais, escolarizadas, industrializadas, ricas e democráticas. (PubMed)

  10. MIT Open Encyclopedia of Cognitive Science (2024). “WEIRD.” Síntese recente do debate sobre populações WEIRD e diversidade cognitiva.

  11. Coradin, C.; Oliveira, S. S. (2024). “Contribuições do conceito de corpo-território...” Revisão sobre corpo-território, feminismos comunitários e territórios saudáveis na América Latina. (SciELO)

  12. Meireles, F. (2025). “Corpo-território: práticas artísticas e ativismo indígena.” Discussão recente sobre corpo-território, ativismo indígena e território vivo. (Mecila)

  13. Gay-Antaki, M. (2025). “Cuerpo-Territorio and Decolonial Feminist Pathways to Justice.” Corpo-território, justiça decolonial e inseparabilidade entre corpo e território.

  14. Arturo Escobar (2022). Debates sobre pluriverso, territorialidade, alternativas ao desenvolvimento e pensamento decolonial.

  15. FGV Direito SP / CEPI; ISOC Brasil (2024). “Soberania Digital: Para quê e para quem?” Discussão brasileira sobre soberania digital, direitos, infraestrutura e governança tecnológica.

  16. Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Base do Estado Democrático de Direito, cidadania, soberania popular, direitos fundamentais e organização institucional.

  17. Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024–2028. Referência para soberania tecnológica, IA pública e desenvolvimento nacional.

  18. FAPESC. Edital nº 60/2025. Tecnologias de interesse para soberania e defesa nacionais.

  19. Publicações recentes sobre hyperscanning, social neuroscience e collective intelligence (2021–2025). Base para investigar Jiwasa, sincronização coletiva, clãs e percepção compartilhada.

  20. Publicações recentes sobre adolescência, desenvolvimento cerebral, interocepção e regulação emocional (2021–2025). Base para traduzir o Human Behavior Map em linguagem útil para adolescentes.







#eegmicrostates #neurogliainteractions #eegmicrostates #eegnirsapplications #physiologyandbehavior #neurophilosophy #translationalneuroscience #bienestarwellnessbemestar #neuropolitics #sentienceconsciousness #metacognitionmindsetpremeditation #culturalneuroscience #agingmaturityinnocence #affectivecomputing #languageprocessing #humanking #fruición #wellbeing #neurophilosophy #neurorights #neuropolitics #neuroeconomics #neuromarketing #translationalneuroscience #religare #physiologyandbehavior #skill-implicit-learning #semiotics #encodingofwords #metacognitionmindsetpremeditation #affectivecomputing #meaning #semioticsofaction #mineraçãodedados #soberanianational #mercenáriosdamonetização
Author image

Jackson Cionek

New perspectives in translational control: from neurodegenerative diseases to glioblastoma | Brain States